Elza Fiúza/ABr
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Brasília - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, partipa do terceiro dia da audiência pública que discute a possibilidade de interrupção da gestação de fetos anencéfalos
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Brasília - O
ministro da Saúde, José Gomes Temporão,
reafirmou hoje (4) posição favorável à
interrupção da gestação em casos de
anencefalia, caso a mãe opte pela medida. Ao participar de
audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF)
sobre o tema, ele avaliou que a tarefa de defender a saúde
depende de um processo democrático e que a maioria dos países
democráticos no mundo já autorizou a antecipação
do parto de fetos anencéfalos.
“Apóio
a tese que sustenta a diversidade de escolha de cada mulher para
lidar com a condição descrita. Condição
que esse tribunal tem a oportunidade histórica de proteger”, afirmou o ministro.
Temporão
assegurou que o diagnóstico da má-formação
fetal em casos de anencefalia é “absolutamente seguro”,
que a doença é fatal em 100% dos casos e que a
continuidade da gestação após o diagnóstico
aumenta os riscos para a saúde da mãe em um percentual
maior quando comparado à uma gravidez normal.
Para o ministro,
as escolhas morais envolvidas na interrupção da
gestação de um anencéfalo não são
as mesmas envolvidas na interrupção da gestação
de um feto viável e, portanto, a antecipação do
parto quando diagnosticada a anencefalia não deve ser tratada
como aborto.
“São
absolutamente distintas. A anencefalia é uma situação
limite, absolutamente singular, onde a mulher vive uma contradição
brutal e cruel de saber que carrega em seu corpo uma vida que não
terá continuidade, que inevitavelmente falecerá logo
após o nascimento”, disse.