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Brasília - A
organização não-governamental Instituto do Homem e Meio
Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou hoje (5) novos dados sobre desmatamento na Amazônia. De acordo com o
Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), em julho a floresta perdeu
276 quilômetros quadrados de cobertura vegetal, uma queda de
54% em relação ao mês anterior e de 71% em
comparação com julho de 2007.
Apesar de
discordâncias numéricas, a queda apontada pelo Imazon
confirma levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe), divulgado na última semana, que registrou 62% de
redução do desmatamento em relação a
junho.
“Julho
foi um mês de queda muito expressiva. Não sabemos se
é uma anomalia ou se trata de um nova tendência”,
apontou o pesquisador-coordenador do monitoramento do Imazon,
Adalberto Veríssimo.
De acordo
com a ONG, o Pará foi o campeão de desmate em julho,
com 207 quilômetros de novas áreas devastadas , seguido
de Mato Grosso, com aproximadamente 33 quilômetros quadrados e
Rondônia Amazonas, com cerca de 16 quilômetros quadrados
de desmatamento cada.
Três
municípios paraenses são apontados como “críticos”
pelo levantamento do Imazon. Novo Repartimento, Pacajá e
Portel foram responsáveis por mais de 101 quilômetros
quadrados de desmatamento, cerca de 36% do total verificado em toda a
região amazônica.
Os três
municípios estão localizados no centro-norte do Pará,
na área do pólo mineral de Carajás. “Ali há
um fenômeno explosivo que tem principalmente uma grande demanda
de carvão vegetal por parte das indústrias de ferro
gusa. E esse carvão vegetal está sendo produzido às
custas da floresta; em assentamentos, pequenas e grandes
propriedades”, relata Veríssimo. “É preciso dar uma
lupa sobre a questão do ferro gusa, que é um fator de
tensionamento do desmatamento nessa região”, acrescenta.
A maior
parte dos desmatamentos registrados pelos satélites em julho
ocorreu em áreas privadas ou sob algum tipo de posse, 76%,
segundo o Imazon. Assentamentos da reforma agrária foram
responsáveis por 18% e os outros 6% foram identificados no
interior de unidades de conservação e terras indígenas.
A existência de nuvens sobre a região impossibilitou a
análise do desmatamento em 17% do território amazônico,
de acordo com a análise da ONG.
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