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Brasília - A adesão
do Brasil à Organização dos Países
Exportadores de Petróleo (Opep), que reúne grandes
produtores mundiais, só traria desvantagens ao país, na
avaliação do diretor do diretor do Centro Brasileiro de
Infra-Estrutura, Adriano Pires.
“Os países
membros da Opep normalmente têm regimes políticos e grau
de desenvolvimento econômico que eu não desejo para o
Brasil”, disse Pires, lembrando nações como Angola, Nigéria
e Venezuela. Além disso, ele argumenta que nos países
membros da Opep não há mercados
livres, e a exploração do petróleo é
feita por empresas monopolistas estatais.
Ontem (3), o
ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que recebeu o
convite do embaixador do Irã para que o Brasil integre a Opep.
Segundo
Pires, atualmente o Brasil não teria condições
técnicas de fazer parte da Opep, porque a exportação
de petróleo é considerada pequena. Mas, de acordo com ele,
mesmo que o país tenha condições de exportar
mais no futuro, essa possibilidade não deve ser levada em
conta.
“Mesmo que
o Brasil se torne um grande produtor e exportador de petróleo
e derivados, não vejo vantagens em entrar nessa
organização”, enfatizou. Ele lembra também que
as regras da Opep só funcionam bem quando o preço do
petróleo está em alta. “Quando o preço cai, os
próprios membros não respeitam as cotas”, diz.
Já o
professor de Administração Pública da
Universidade de Brasília (UnB) José Matias Pereira
lembra que o Brasil teria desvantagens econômicas se
ingressasse na Opep, porque a maioria dos países que fazem
parte dela são exportadores de
petróleo em estado bruto.
Segundo ele,
o Brasil tem a tecnologia necessária para tirar proveito de
toda a cadeia do petróleo e terá mais vantagens no
mercado mundial se exportar derivados do produto. “Com a exportação
da matéria-prima, o retorno seria pouco significativo. Mas se
exportarmos uma matéria acabada, internamente vai agregar
tecnologia, gerar mais emprego, mais renda”, afirma.
Pereira
defende que a decisão sobre o ingresso na Opep não deve
ser tomada a curto prazo, e acredita que a entrada do Brasil
fortaleceria a organização.
De acordo
com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), no ano passado
o Brasil importou 159,6 milhões de barris de petróleo,
a um custo de R$ 11,9 bilhões. As exportações
foram de 153,8 milhões de barris, que geraram uma receita de
R$ 8,9 bilhões.
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