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Brasília - O presidente da
Comissão de Ética e Cidadania da Academia Fluminense de
Medicina, médico especialista em ginecologia e obstetrícia
Dernival da Silva Brandão, revelou ao participar hoje (4) da
terceira audiência pública no Supremo Tribunal Federal
(STF), que atendeu inúmeras gestantes que carregavam fetos
anencéfalos e que nenhuma dela optou pela antecipação
do parto.
“O aborto terapêutico
é questionado por autoridades médicas. A medicina tem
hoje condições de levar essa gravidez ao fim. A
medicina fetal deve tratar o paciente intra-uterino como o paciente
que o é. A violência contra um ser humano indefeso não
é compatível com a consciência ética do
médico nem com a missão e a nobreza da medicina”,
afirmou no depoimento na audiência que discute a interrupção
da gravidez de anencéfalos.
Ele destacou que a
ciência deve se colocar sempre em favor da vida e do bem-estar
do ser humano, e que a reduzida expectativa de vida do bebê
diagnosticado com anencefalia não limita seus direitos ou sua
dignidade humana.
“Cabe ao médico
o cuidado com a gestante de um filho doente, dando-lhe apoio afetivo
e psicológico. Na anencefalia, não existe perigo atual,
real e iminente. O aborto terapêutico só pode ser feito
nesses casos”, defendeu.
A pediatra e
coordenadora do Serviço de Neonatologia e da UTI Neonatal do
Hospital São Francisco, Cinthia Macedo Specian, lembrou em seu
depoimento que na década de 80 foi realizado um estudo nos
Estados Unidos com o objetivo de avaliar a possibilidade de doação
de órgãos de bebês anencéfalos e para a
confirmação de morte encefálica dos fetos.
Segundo ela, 12 bebês foram observados, e “eles emitiam
sinais clínicos como resposta auditiva e respiração
espontânea em 100% dos casos. E sequer foram colocados em UTI”.
“O indivíduo
com morte cerebral não apresenta atividade elétrica
cerebral. Não se usa a terminologia de morte encefálica
em feto com anencefalia”, afirmou a pediatra.
Ela explicou que apenas
após a 24ª semana de gestação pode-se
observar o grau de desenvolvimento, ainda que rústico, do
encéfalo do feto, “ainda assim, sem precisão”.
Por essa razão,
Cinthia acredita que não houve erro de diagnóstico no
caso Marcelo de Jesus – bebê brasileira diagnosticada com
anencefalia que sobreviveu por um ano e oito meses.
“O diagnóstico
foi correto. Os ossos do crânio não estavam formados. Só
após o nascimento dela, pôde-se observar que era uma
meroencefalia. O desenvolvimento do encéfalo prossegue até
o término da gestação”, explicou.
Ieda Therezinha do
Nascimento, médica endocrinologista e membro da Associação
de Desenvolvimento da Família (Adef), pediu que o STF “não
volte à barbárie” e que repense o risco de se avaliar
um ser humano de acordo com a sua eficiência.
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