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Brasília - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio
Mello reforçou hoje (4) seu posicionamento favorável à
interrupção da gravidez de anencéfalo. Após a terceira audiência
pública para discutir o tema, ele avaliou o encontro como
produtivo e informou que um novo debate vai ocorrer no próximo
dia 16.
“O meu
convencimento eu sinalizei quando deferi, segundo minha ciência
e consciência, a liminar autorizando a interrupção
sem a intervenção penal. As exposições de
hoje só robustecem o que imaginei inicialmente”, afirmou.
O ministro é
relator da ação ajuizada em 2004 pela Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), que recorreu ao
STF para que deixasse de ser considerado crime a antecipação
do parto em caso de fetos anencéfalos. De acordo com a
confederação, além de gerar risco para a mulher,
carregar um feto “anômalo”, que ela sabe que não
sobreviverá depois do parto, ofende a dignidade humana da mãe,
prevista no artigo 5º da Constituição Federal.
Questionado
sobre os posicionamentos da comunidade científica
e de médicos contrários à interrupção
da gestação de fetos anencéfalos, ele
afirmou que as divergências representam “um somatório
de forças distintas”, e que irão colaborar para que se
chegue à uma conclusão segura sobre o assunto.
Marco
Aurélio se disse “perplexo”com a exposição
do especialista em ginecologia e obstetrícia Dernival da Silva
Brandão, que afirmou acreditar que o sofrimento das mulheres e
de seus familiares durante uma gestação diagnosticada
com anencefalia “purifica o espírito”.
Ele
revelou que após a conclusão das audiências
públicas, haverá um espaço para alegações
finais e que tanto a Procuradoria Geral da União (PGR) como a
Advocacia Geral da União (AGU) serão convidadas
novamente para se manifestar sobre a matéria. Especialistas favoráveis e
contrários à antecipação do parto de
bebês anencéfalos já haviam defendido seus pontos
de vista nos dois primeiros dias de audiência pública,
ocorridos em 26 e 28 de agosto.
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