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5 de Setembro de 2008 - 16h54 - Última modificação em 5 de Setembro de 2008 - 17h40


Faturamento de bancos com serviços é alto mesmo depois de novas regras

Daniel Lima e Kelly Oliveira
Repórteres da Agência Brasil

 
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Brasília - Dados do Banco Central apontam que o faturamento dos bancos com serviços, o que inclui as tarifas, se manteve em alta no segundo trimestre, período em que as novas regras sobre tarifas bancárias e transferência de histórico bancário já tinham entrado em vigor.

Entre abril e junho, o faturamento do setor com os serviços chegou a ser de R$ 14,4 bilhões, crescimento de 2,25% em relação ao primeiro trimestre.

Mas, segundo o chefe-adjunto do Departamento de Normas do Sistema Financeiro do Banco Central, Sérgio Odilon dos Anjos, não seria correto comparar os dois trimestres porque, até abril, não havia a padronização de tarifas e várias delas, embora incidissem sobre um mesmo serviço, tinham nomenclaturas diferentes.

Para Odilon, é possível que os correntistas possam contar “no final da linha, com redução de taxas, de spread [diferença entre custo de captação e taxa cobrada em um empréstimo] e preços mais baratos”.

As novas regras simplificaram as tarifas e padronizaram a nomenclatura para que o consumidor pudesse comparar os valores com mais facilidade. Além disso, o BC permitiu também que o correntista possa pedir transferência para outra instituição financeira de operação de crédito contratado com um banco, bem como de cadastro e de conta-salário. É a chamada portabilidade de histórico bancário.

Para Odilon, as regras poderão ter o efeito de reduzir os custos da operações bancárias, além de permitir que o consumidor tenha mais poder de escolha. Ele, no entanto, preferiu não projetar um prazo para que isso aconteça.

Segundo dados dos institutos de defesa do consumidor, até agora não houve redução de gastos com tarifas bancárias. Ao contrário, os institutos afirmam que houve um “tarifaço”, forte aumento de preço de tarifas, no período de adaptação às novas regras, entre dezembro do ano passado e abril deste ano. Agora, os bancos só podem reajustar as tarifas a cada 180 dias.

Segundo Odilon, o Banco Central controla e acompanha a efetividade das normas que são editadas, embora não tenha apresentado dados sobre o cumprimento das novas regras. Ele disse que há estudos internos que ainda não podem ser divulgados. “A nossa visão preliminar é que [as novas normas] têm surtido efeito”, afirmou.

O gerente-jurídico do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Marcos Diegues, lembra que, quando as medidas começaram a vigorar, os institutos não levavam em conta a possibilidade de redução do preço em si, mas, antes de tudo, a possibilidade da livre escolha.

“Ou seja, [não pensávamos] que houvesse uma redução de valor de tarifas por conta dessa uniformização ou proibição de cobranças de alguns determinados serviços. O mais positivo é essa possibilidade de comparar tarifas individualmente”, observou.

Já para o diretor de Estudos Técnicos do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), Alexandre Wehby, é difícil falar em escolha no mundo financeiro com um sistema bancário que, na sua visão, não é competitivo e sim, oligopolizado. Segundo ele, os cinco maiores bancos do país detêm 80% dos depósitos.

“Como é oligopólio, não pode ter liberdade total. O que é preciso é que o sistema de defesa da concorrência e o Banco Central atuem e estruturem outros sistemas de crédito, como cooperativas”, defendeu. Ele também criticou o fato do BC ter estimulado que pequenos bancos fossem incorporados por instituições financeiras maiores.



 



*Atualizada para correção de informações
 


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