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Brasília - A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) apresentou hoje
(5) os resultados da Operação Vale do Javari. Nos dois meses de
trabalho, as equipes realizaram 2.300 exames para diagnosticar doenças
como anemia, malária, verminoses, tuberculose, entre outras
enfermidades, junto à população indígena da região.
Apesar dos 500 casos de malária detectados na área, o médico da Funasa, Jayme Valência, que acompanhou a operação,
afirmou que a situação não é tão grave quanto se imaginou. “Não
encontramos pessoas muito doentes. Por ser uma área de grande índice de
malária, a maioria não apresentava sintomas da doença. Por isso nós
fizemos exames em todos, inclusive nos bebês, e encontramos alguns de
apenas 20 dias que estavam se alimentando normalmente do leite materno,
com exames positivo da malária”.
Segundo o médico a grande maioria de mortes,
principalmente de crianças, são por diarréia, desidratação ou
pneumonia. “Muitas vezes [o óbito] não pode ser evitado, porque não se
encontra profissionais na área para fazer o tratamento e por causa da
distância não tem como remover esse paciente a tempo, nem sempre existe
via aérea, e para fazer por via fluvial às vezes demora dez dias para se
chegar a uma área [postos de atendimento]”.
O diretor do Departamento de Saúde Indígena (Desai)
da Funasa, Wanderley Guenka, garantiu que a Funasa já está tomando
várias medidas, no sentido de diminuir os agravos de saúde no Vale do
Javari. “Primeiro vamos reorganizar a atenção, reestruturar as equipes,
mudar as estratégias, melhorar a estrutura, com a construção de novos
pólos-bases”, disse.
Ele afirmou ainda que, apesar da dificuldade de fazer
construções no Vale do Javari, pelo difícil acesso para levar
materiais, novos pólos já estão sendo construídos e os antigos
reformados, para que possam abrigar as equipes de saúde. Outro objetivo,
que também está dentro dos projetos da Funasa, é a instalação de
geladeiras, que funcionam à base de energia solar, em todos os pólos para manter as vacinas. “Já implantamos mais três e queremos que todos os pólos tenham uma [geladeira], para
manter as vacinas, principalmente as de hepatite B”, disse.
Wanderley Guenka disse que é importante "fazer o
diagnóstico precoce e o tratamento imediato das doenças, além do
trabalho de meio ambiente para eliminar os anofelinos [mosquitos] portadores da
malária. As equipes realizaram vacinação contra todas as doenças e
medicaram todos os casos diagnosticados".
O projeto foi realizado em parceria com o Ministério
da Defesa, os comandos da Aeronáutica, Marinha e Exército e
o Comando-Geral de Operações Aéreas (Comgar), reunindo uma equipe de cerca de 200 profissionais.
O título foi alterado.
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