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Brasília - O prefeito de Pacaraima (RR) e
produtor de arroz Paulo César Quartiero foi denunciado esta
semana pelos crimes de seqüestro, cárcere privado, roubo e
dano qualificados. Ele é acusado de ter ordenado a invasão a uma missão religiosa nas proximidades da
Vila Surumu, dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em
Roraima, no dia 06 de janeiro de 2004. Segundo a Procuradoria Regional da República
da 1ª Região (PRR-1), Quartiero coordenou a ação
que resultou na destruição de bens e no seqüestro
de três padres que estavam no local.
Em nota, a Procuradoria
relata que os sacerdotes Ronildo Pinto de França, João
Carlos Martines e César Alvallaneda permaneceram presos por
dois dias sob a vigilância de pessoas ligadas a Quartiero.
De acordo com o
Ministério Público (MP), a ação
criminosa foi planejada para forçar autoridades
a implementar a demarcação em ilhas da Raposa Serra do
Sol. Posteriormente, em abril de 2005, o governo homologou a reserva
com 1,7 milhão de hectares em área contínua e
determinou a saída de todos os não-índios, condicionada ao pagamento de indenizações.
Entretanto, os grandes produtores
de arroz se recusaram a deixar suas posses e o caso foi parar no
Supremo Tribunal Federal (STF). Em julgamento iniciado no último
dia 27 de agosto, o relator, ministro Carlos Ayres Britto, votou pela
manutenção da demarcação em área
contínua, mas um pedido de vista do ministro Menezes Direito
adiou a decisão.
A denúncia do MP
contra Quartiero, relativa ao fatos de 2004, será analisada no
Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Em caso de
recebimento pela Corte e futura condenação, o prefeito
de Pacaraima e outros quatro acusados estão sujeitos a pena de
até 21 anos de prisão.
Procurado pela Agência
Brasil, Quartiero negou a autoria das ações e se disse
perseguido pelos procuradores federais.
“Tem duas páginas e
meia de processos contra mim no Ministério Público. Eu
tento me defender na medida em que posso, mas eles me processam com
dinheiro público e eu tenho que gastar do meu bolso para
contestar”, afirmou o prefeito. “Se aparece uma mulher gorda em
Boa Vista, falam que a culpa é minha”, ironizou.
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