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8 de Setembro de 2008 - 10h05 -
Última modificação
em 8 de Setembro de 2008 - 14h25
ONU diz que oferta de emprego cresceu no país, mas discriminação de mulheres e negros persiste
Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil
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Gervásio Baptista/ABr
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Brasília - O diretor da Cepal no Brasil, Renato Baumann, e a representante do Pnud Kim Bolduc, durante divulgação do estudo Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente - A Experiência Brasileira Recente
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Brasília - Nos últimos anos, o Brasil apresentou melhora expressiva em
indicadores importantes do mercado de trabalho, no entanto, o país não
conseguiu diminuir, em níveis satisfatórios, a exclusão social e econômica,
principalmente em relação às mulheres e aos negros.
Apesar de representarem mais de 70% do mercado de trabalho,
mulheres e negros ainda são discriminados na área profissional. É
o que aponta o relatório Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente –
A Experiência Brasileira Recente, divulgado hoje (8) pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O estudo foi elaborado em conjunto por três agências da ONU: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Comissão Econômica
para a América Latina e o Caribe (Cepal).
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicíilios (Pnad), realizada
pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), demonstra que, em
2006, o rendimento médio real das mulheres não-negras era de R$ 524,6, enquanto o das negras era de R$ 367,2. Já os homens negros
receberam um rendimento médio de R$ 451,1, contra a remuneração de
R$ 724,4 obtida pelos não-negros.
“No início da década de 2000 observamos uma oferta maior de
emprego, uma geração maior de trabalho com carteira assinada, além de uma
reversão da queda dos rendimentos obtidos com o trabalho. Isso ocorreu em um
cenário de crescimento econômico. No entanto, ainda há uma distância
significativa em relação à remuneração, considerando os fatores de raça e gênero,
e isso não condiz com a condição de trabalho decente”, explica o diretor do
escritório no Brasil da Cepal, Renato Baumann.
O aumento da presença das mulheres no mercado de trabalho –
uma tendência que se verifica desde os anos 70 no Brasil – consolidou-se nos
últimos anos. Segundo o relatório da ONU, esse aumento, intenso e persistente,
da inserção feminina é uma das tendências mais claras de mudança na estrutura
do mercado de trabalho nas últimas décadas, tanto no Brasil quanto em toda a América
Latina.
Essa evolução ratifica uma tendência de mais longo prazo, de
acordo com a ONU, e está associada, entre outros fatores como o aumento da
escolaridade feminina, ao processo de transição demográfica que reduz o número
de filhos por mulher, a uma maior expectativa feminina de autonomia econômica e
realização pessoal e a uma maior necessidade, intenção ou disponibilidade de
contribuir para a manutenção ou elevação da renda familiar.
Baumann destaca, no entanto, que os avanços, que ele
chama de “áreas de luz”, não podem esconder as ainda existentes “áreas de
sombra”, em relação ao mercado de trabalho no Brasil. “É inegável que houve
aumento da participação de mulheres e negros. Também houve aumento da
remuneração desses dois grupos, mas não a ponto de termos a eqüidade.”
O relatório aponta que "ainda é alta a desigualdade entre as taxas de participação
das mulheres e dos homens, o que reflete as dificuldades que elas enfrentam, em
especial as mais pobres e menos escolarizadas, para ingressar e permanecer no
mercado de trabalho”.
“São as mulheres pobres que encontram maiores dificuldades
para ingressar no mercado de trabalho, como conseqüência, entre outros fatores,
dos obstáculos que enfrentam para compartilhar as responsabilidades domésticas,
em particular o cuidado com os filhos”, conclui o estudo.
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