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Recife (PE) - No dia do centenário
do geógrafo, médico e escritor pernambucano Josué
de Castro, sua filha, Anna Maria de Castro, considerou que os
programas sociais do governo – inspirados nele – e o Prêmio
Josué de Castro de Boas Práticas em Gestão de
Projetos de Segurança Alimentar e Nutricional, lançado
ontem (5), são o retorno dele ao Brasil.
“Ele está
voltando como não pôde fazer em vida. Depois de ser
alijado de sua cidadania, ter seu passaporte brasileiro cancelado e
seus livros banidos das universidades, esse é o grande retorno
dele”, declarou Anna Maria. Ela, que também é
socióloga, disse que o pai morreu – em 1973, em Paris – de
tristeza pela saudade da terra natal e achando “que não
tinha feito nada”.
Filho de retirantes da
seca nordestina, Josué de Castro foi pioneiro no mapeamento do
drama da fome no Brasil. Em 1946, ele lançou Geografia da
Fome, seu mais conhecido livro, já traduzido para 25 idiomas.
Ele também é autor de Geopolítica da Fome e de
outros livros que o identificaram com o tema da fome.
Durante o lançamento
do prêmio, o presidente do Conselho Nacional de Segurança
Alimentar e Nutricional (Consea), Renato Maluf, lembrou que Josué
de Castro – cujos direitos políticos foram cassadas pela
ditadura militar em 1964, quando era embaixador do Brasil na
Organização das Nações Unidas (ONU), em
Genebra - é patrono do conselho e disse que o clima de que a
fome está vencida no país atrapalha.
“Dizer que a fome foi
vencida seria dizer que nós deixamos de ter um sistema
econômico e social que produz desigualdade, o que não é
verdade. E a fome é produto desse sistema”, afirmou Maluf.
De acordo com ele, as
políticas públicas de combate à fome devem ser
permanentes. “Até no país mais rico do mundo, os
Estados Unidos, existem programas de segurança alimentar. Isso
é sinal de que essa sociedade cria mesmo desigualdade o tempo
todo. Uma coisa é dizer que os programas são eficazes e
relevantes, outra coisa é dizer que o problema está
resolvido”, completou o presidente do Consea.
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