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São Paulo - O Código de Defesa do Consumidor completou
hoje (11) 18 anos de vigência reconhecido por representantes de
entidades e órgãos ligados ao direito do consumo como
uma das leis mais atuais do país.
Segundo Daniela Trettel, advogada do Instituto
Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o código foi tão
bem estruturada que consegue regular, hoje, relações de
consumo que nem existiam na época em que foi sancionado.
“Após 18 anos, ele consegue ser atual,
mesmo com a expansão dos transgênicos, telefonia celular
e do acesso à internet banda larga”, afirmou ela. “O
código estabelece princípios que valem para todas as
situações e colabora, inclusive, para a consolidação
da democracia”, disse.
Ela afirma que, com a lei, a prestação
de serviços básicos, por exemplo, foi mais bem
regulada. Isso deu condições para que mais pessoas
tivessem acesso a esses serviços.
O assessor-chefe da Fundação
Procon-SP, Carlos Coscarelli, citou outras mudanças
estabelecidas pelo código, que considera importantes. “Um
ponto importante foi o da informação”, observou.
“Antes, os rótulos só serviam para fazer publicidade.
Agora, devem trazer informações úteis.”
Ele ressaltou ainda a fixação de um
“equilíbrio” contratual. Segundo Coscarelli, até a
sanção do código, cláusulas de contratos
consideradas abusivas tinham de ser respeitadas a todo custo, caso o
consumidor tivesse assinado o documento.
Com o código, isso mudou. “O consumidor
não está mais em desvantagem na relação
pessoa-empresa. Clausulas abusivas não devem ser consideradas
válidas mesmo com a assinatura do cliente.”
A coordenadora do Sistema Nacional de Informações
de Defesa do Consumidor (Sindec), do Ministério da Justiça,
Juliana Pereira, acrescentou que a lei promoveu a conscientização
dos consumidores brasileiros. Segundo ela, os dados do Sindec
mostram que cada vez mais pessoas procuram Procons e outros órgãos
de defesa do consumidor para registrar reclamações
contra empresas. “O que é bom”, avaliou.
“Mas, se tem gente reclamando, é porque
ainda existem empresas que não prestam um atendimento
adequado”, complementou. “Isso mostra que ainda temos avançar.”
Ela ressaltou, contudo, que o avanço
necessário não diz respeito à legislação.
“Eu não mudaria uma vírgula do código”,
disse. Para ela, é preciso que governos, Justiça e
organizações trabalhem juntos para garantir que os
direitos previstos na lei estejam assegurados e as punições
para infratores sejam cobradas.
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