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Brasília - O presidente da Bolívia, Evo Morales,
afirmou hoje (13) que não vai estender o estado de sítio
declarado para o departamento de Pando a outras regiões caso
cessem os atentados à democracia e ao Estado, promovidos por
movimentos autonomistas.
"Se os prefeitos devolvem as
instituições, deixam de atentar contra o patrimônio
do Estado e do povo, que são gasodutos e refinarias, não
há porque pensar em ampliar a outras regiões o estado
de sítio", afirmou Morales em entrevista coletiva, no Palácio
Quemado, reproduzida pela Agência Boliviana de Informação
(ABI).
O massacre de camponeses e indígenas ocorrido ontem (12) em
Pando, em uma emboscada atribuída a pessoas contratadas pelo
prefeito Leopoldo Fernández, foi definido por Morales como um
“delito de lesa humanidade”. Morales disse ter sido alertado por
especialistas em direitos humanos para declarar o estado de sítio,
sob pena de ser processado caso se omitisse.
Morales confirmou que participará da
reunião com governadores oposicionistas marcada para domingo.
Os protestos liderados pelo grupo contrário ao presidente já
resultaram em16 mortes, dezenas de feridos e na interrupção
temporária do fornecimento de gás natural para o Brasil
e a Argentina.
Uma comissão governamental de ajuda
humanitária chegou nesta madrugada ao aeroporto de Cobija,
chefiada pelos ministros da Presidência, Juan Ramón
Quintana, e da Saúde, Ramiro Tapia.
O objetivo é levar
auxílio aos feridos em virtude do atentado e iniciar a busca
de camponeses desaparecidos. Grande quantidade de roupas e
medicamentos foi transportada. O ministro da Saúde disse que parte
dos camponeses agredidos, por grupos de choque e paramilitares, não
recorreram ao hospital de Cobija por medo de serem agredidos.
A presidente do Chile e
da União de Nações Sul-Americanas (Unasul),
Michelle Bachelet, convocou os presidentes dos países do bloco
diplomático para uma reunião de emergência na
segunda-feira (15), quando será discutida a crise na Bolívia
e reiterado o apoio dos chefes de Estado a Evo Morales.
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