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Brasília - Dois meses após a sanção da lei que estabelece o piso nacional para professores da rede pública, docentes de pelo menos 11 estados resolveram paralisar hoje (16) suas atividades em
mobilização pela implantação da proposta. A lei que estabelece o piso de R$ 950 para a categoria vem
sendo questionada por alguns estados que alegam não ter
dinheiro para arcar com os custos. Segundo o Conselho Nacional de
Secretários de Educação (Consed), a lei tem pontos
inconstitucionais.
“Essa
mobilização acontece, principalmente, por conta da
campanha de alguns governadores contra a implementação
do piso, com alegações incabíveis, dizendo que
os estados irão à falência [com o pagamento dos
salários], o que não é verdade”, defende
Roberto Leão, presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Segundo
ele, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais são os
principais estados “contra” a lei do piso.
O
movimento organizado pela CNTE prevê atos públicos,
passeatas e manifestações em todo o país. O
texto da lei estabelece que o novo piso seja implantado gradualmente
a partir de janeiro de 2009. O principal questionamento dos estados é
com relação a um artigo que aumenta de 20% para
33% a carga horária de atividades extraclasse dos professores,
o que exigirá a contratação de novos
profissionais para atuar em sala.
Segundo
Leão, essa é uma posição política para “manter uma educação
barata para a população pobre”. “Os estados tiveram
11 meses para se manifestar, o piso foi amplamente debatido no Brasil
inteiro. Agora eles [governadores] baixaram um pouco o discurso por
causa do período eleitoral, mas nós estamos
pressionando também os prefeitos para que assumam o
compromisso de estar ao nosso lado no cumprimento da lei”, defende.
Leão
afirma que há um “receio real” entre os professores de que
a lei não saia do papel. “Há uma expectativa porque a
reação contra veio de três grande estados. O
receio é de que uma coisa que foi conquistada com tanto
sacrifício exija ainda mais sacrifício para ser
concretizada. Mas estamos dispostos a lutar por isso”, frisa.
No fim do dia a CNTE deve divulgar um balanço das ações realizadas nos estados.
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