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São Paulo - A crise nos Estados
Unidos, cujo capítulo mais recente foi a quebra do Lehman
Brothers, quarto maior banco de investimentos daquele país,
ainda está longe do fim, afirmam especialistas consultados
hoje (17) pela Agência Brasil.
A falência do
Lehman Brothers foi um capítulo à parte na crise porque o
Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, não
emprestou dinheiro para evitar a concordata do banco. "O mercado
entendeu isso como uma mudança de rota e se assustou com a
decisão [do Fed]", explica Tharcisio Bierrenbach
de Souza Santos, diretor do curso MBA da Fundação
Armando Álvares Penteado (FAAP) de São Paulo. Em março,
o Fed emprestou dinheiro para que o banco JP Morgan comprasse o quase
falido Bear Stern.
"A inadimplência
no crédito afetou a saúde financeira dos bancos e isso
desencadeou a crise na bolsa", explica o professor Antonio
Correa de Lacerda, do departamento de Economia da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). A crise,
lembram os especialistas, foi provocada por problemas no mercado
imobiliário americano.
"Guardadas as devidas
proporções, esta crise tem o tamanho e a gravidade da
crise de 1929", acredita Santos. Ele explica que o mundo hoje
está mais preparado do que na década de 30, quando a
Bolsa de Valores de Nova Iorque quebrou. "Hoje o mercado esta
mais controlado, temos uma série de mecanismos para não
deixar a situação se alastrar.”
A crise econômica,
segundo especialistas, não tem hora para acabar. E, segundo o
diretor da FAAP, a bolha americana não é a única.
"Há situações semelhantes em diversos
países da Europa, como a Holanda e a Inglaterra e até
mesmo na Oceania, na Nova Zelândia e na Austrália",
diz.
Mas como esta crise
afeta o cidadão comum no Brasil? O economista Fabio Silveira,
sócio-diretor da RC Consultoria, explica que por hora o país
não está sentindo os efeitos da crise. "O
principal efeito é a queda de commodities, que não
se reflete diretamente na economia real, só no mercado de
exportações", ensina.
Para o professor da
PUC, as bolsas de valores estimulam o crescimento e o surgimento das
empresas e o movimento da economia acompanha seu ritmo. "Uma
crise profunda diminui a capacidade de expansão das empresas
e, conseqüentemente, de gerar empregos."
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