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Brasília - O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu hoje (17), em
entrevista ao programa 3 a 1, da TV Brasil, que não
pretende concorrer a um terceiro mandato em 2010. "Eu tenho na
minha biografia gestos que me fazem não ficar embevecido por
um mandado", disse Lula.
Perguntado
sobre o que não conseguiu ainda fazer nos seus mais de cinco
anos na Presidência, Lula preferiu destacar o que conseguiu
fazer na educação, uma de suas prioridades. "Educação
foi uma das minhas prioridades, e quando eu terminar o governo, eu
que não tenho diploma universitário, vou passar para a
história como o presidente que mais fez escolas técnicas
em oito anos do que fizeram em cem anos neste país",
afirmou.
Confira
abaixo o trecho final da entrevista do presidente Lula.
TV
Brasil: O senhor tinha um time aqui na Esplanada dos Ministérios
que foi desfalcado de dois jogadores de primeira linha, o ex-ministro
da Fazenda Antônio Palocci e o ex-ministro da Casa Civil José
Dirceu. Depois de tudo o que aconteceu com os dois, qual é a
opinião e avaliação que o senhor faz dos seus
antigos companheiros do PT? Luiz
Inácio Lula da Silva: Antigos não, companheiros. O
fato de eles não estarem no governo não mexe na minha
relação de amizade. Aliás é uma coisa que
prezo, que eu carrego para o fim da vida, porque ninguém me
obrigou a ter amizade, amizade é uma coisa que a gente
escolhe. A saída dos dois apenas mostrou para a sociedade que
ninguém é imprescindível. Que ninguém é
insubstituível. De vez em quando, não só agora
que eu sou presidente, mas quando eu não era presidente, via
nos jornais assim: porque tal pessoa é imprescindível.
Não existe isso, nós substituímos os dois porque
era necessário substituir. As pessoas que estão no
lugar deles estão dando uma demonstração
extraordinária e os dois companheiros estão
reconstruindo suas vidas. É assim que tem que ser a vida, não
tem outro jeito.
TV
Brasil: Depois de praticamente cinco anos e meio que o senhor
está exercendo a Presidência, o que o senhor acha que
deixou de fazer, que não conseguiu de fazer e que acha que
ainda dá para fazer nesse segundo mandado? Lula:
Se você for procurar alguma coisa que falta fazer, sempre vai
faltar. O importante é que para governar, você tem que
definir prioridades. Não tem dez prioridades, ou você
escolhe duas ou três e executa, ou você passa pelo
governo e faz um monte de coisas que ninguém percebe. O que
nós fizemos: educação. Educação
foi uma das minhas prioridades, e quando eu terminar o governo, eu
que não tenho diploma universitário, vou passar para a
história como o presidente que mais fez escolas técnicas
em oito anos do que fizeram em cem anos neste país. Desde a
primeira de 1909 até 2003 foram 140 escolas técnicas
profissionalizantes. Eu vou fazer em oito anos, 214 escolas técnicas
profissionais. Estamos fazendo dez universidades federais novas. Tem
quatro no Congresso para ser aprovadas e passa a ser 14. E estamos
fazendo 95 extensões universitárias. Criamos o Prouni,
que já colocou 435 mil jovens na universidade e o com o
vestibular deste ano serão mais 100 mil. Vamos para 500 e
poucos mil jovens pobres, da periferia, nas universidades. Fizemos o
Reuni, que vai colocar mais de 400 mil jovens na universidade até
2010 e só para vocês terem idéia, em 2003, a
universidade brasileira renovava cerca de apenas 113 mil vagas e este
ano vai renovar 227 mil vagas das escolas públicas federais.
TV
Brasil: O senhor descarta categoricamente a tese do terceiro
mandato? Lula:
Deixa só eu terminar essa coisa do esquecimento, do que falta
fazer. Nós tivemos que dar prioridade. A outra prioridade
minha era fazer a economia crescer. Alguns falam sorte, sorte não.
A indústria naval brasileira está acontecendo por
decisão do governo. A Petrobras deixou de investir US$ 250
milhões por ano em pesquisa, para investir US$ 250 milhões
por mês, por decisão do governo. Então o que é
consignado hoje de empréstimo ao maior número de
pessoas físicas no país é por decisão do
governo. As coisas não acontecem por acaso. Obviamente eu
quero ter sempre sorte e por isso o Brasil está dando certo.
Certamente quando eu terminar o mandato eu vou lembrar de muitas
coisas que não fiz, mas também vou lembrar de muitas
coisas que nós conseguimos executar. Porque tem uma equipe boa
que trabalha, todo mundo aprendeu. O PAC [Plano de Aceleração
do Crescimento] era para a gente ter lançado antes das
eleições de 2006 e nós decidimos que íamos
lançar no início do ano. Qual era minha preocupação?
O que nós iríamos fazer no segundo mandado? Era me
perder na mesmice do primeiro. Então falei, temos que fazer
uma novidade. A novidade é o PAC, que está dando
trabalho para todos nós até 2010. Nunca antes na
história deste país teve tanto dinheiro federal em
todas as prefeituras deste país. Pode procurar uma prefeitura,
pode procurar o [prefeito Gilberto] Kassab em São
Paulo. Do PSDB, em qualquer outro estado, nunca na vida eles
receberam a quantidade de dinheiro que nós estamos mandando
para esses municípios.
TV
Brasil: Nunca teve terceiro mandado também. Lula:
Eu penso que democracia é uma coisa tão séria
que a gente não pode brincar com ela. Daqui a pouco alguém
quer o terceiro mandato, o quarto mandato, o quinto mandato. Está
de bom tamanho. Eu era a favorável a um mandato só. Eu
acho que quatro anos é muito pouco para executar um programa.
Com mandato de quatro anos se você começar a fazer um
projeto para construir uma hidrelétrica, você termina o
mandado e não consegue a licença prévia do Ibama
ainda. Ou talvez o Ministério Público proibiu. É
preciso ter um tempo para executar um programa. E eu já tive
meu tempo. Com a graça de Deus, sou agradecido todo dia por
estar dando certo as coisas. Que venha outro e que faça mais.
A única coisa que vou dizer é o seguinte. Quando eu
terminar o meu mandato, tudo o que nós tivermos feito, eu vou
registrar em cartório. Quem entrar no meu lugar vai receber
tudo o que foi feito no meu governo, tudo que está contratado,
quantos metros de obra estão feitos. Vou deixa lá sabe
por quê? Porque eles vão dizer assim: 'Se aquele
torneiro mecânico que não foi nem à universidade
fez tudo isso, eu tenho que fazer mais'. Porque aí ele vai ser
obrigado a fazer mais do que eu. Essa é uma coisa boa, uma
coisa extraordinária, e eu aprendi isso trabalhando em linha
de produção. A gente vê um companheiro fazendo
uma coisa e a gente quer fazer mais do que ele.
TV
Brasil: O senhor registraria em cartório também a
decisão de não concorrer ao terceiro mandado
consecutivo? Lula:
Não preciso registrar em cartório, mas se fosse o caso,
eu registrava. Eu vou dizer um exemplo para você: quando eu
podia ser candidato o tempo que eu quisesse no Sindicato dos
Metalúrgicos em São Bernardo do Campo (SP), quando eu
fui reeleito em 1978, eu convoquei uma assembléia e decidimos
que o presidente do sindicato não poderia ser eleito mais que
duas vezes. Portanto, meu caro, eu tenho na minha biografia gestos
que me fazem não ficar embevecido por um mandado. Porque os
mesmos que ficam brigando que querem terceiro mandado quando você
está bem nas pesquisas são os mesmos que não vão
querer quando você estiver mal nas pesquisas. Então, eu
aprendi a andar com os pés muito assentados no chão. Eu
tenho um remédio contra a mosca azul a minha vida inteira, e
portanto eu sou tranqüilo. Eu termino meu mandado no dia 31 de
dezembro de 2010 e no dia 1º, estarei passando a faixa para quem
estiver na presidência.
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