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Brasília - O ministro da Justiça,
Tarso Genro, disse hoje (17) que a Polícia Federal merece todo
o respeito da sociedade porque teve a coragem de “cortar na própria
carne” ao investigar, pedir a prisão e prender o segundo homem de
sua hierarquia, o delegado Romero Meneses, que ocupava o cargo de
diretor-executivo da corporação.
“A Polícia
Federal tem a coragem de atacar os seus próprios erros – se
é que o delegado Romero cometeu ilegalidades – e aplicar
duramente a ordem judicial e fazendo um inquérito muito
profundo como será esse. É evidente que as pessoas
ficam perplexas e dizem o seguinte: como é que uma pessoa que
estava na direção da Polícia Federal cometeu uma
ilegalidade desse tipo? Para responde isso temos que esperar o fim
do inquérito. No entanto, acho que a síntese é
muito positiva porque demonstra que, para a Polícia Federal, não
há ninguém acima da lei”, disse o ministro.
Tarso disse que chegou
a conversar com o delegado Romero Menezes na noite de ontem, logo
depois que ele conseguiu um habeas corpus, concedido pelo
Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), sediado em Brasília. “Disse
a ele que, como todos os indiciados pela Polícia Federal, ele
merecia o benefício da dúvida, mas que o inquérito
iria ser exemplar, até em homenagem a sua conduta de 30 anos
na Polícia Federal. Ele me respondeu dizendo que eu poderia
ficar tranqüilo que, como pessoa que tem responsabilidade sobre
a Polícia Federal, que ele iria comprovar sua inocência”,
disse o ministro.
O delegado explicou ao
ministro que os atos praticados por ele na condução da
Operação Toque de Midas, alvo do inquérito,
decorreram da própria natureza das funções
exercidas por ele, como delegado fa Polícia Federal.
O delegado Romero Menezes foi preso ontem (16) sob a suspeita de ter vazado informações
sobre a Operação Toque de Midas, que apurou possíveis
fraudes no processo de licitação para a construção
de uma estrada de ferro no Amapá. No processo, movido pela
Procuradoria Geral da República, Menezes é acusado de
advocacia administrativa (uso pelo servidor de sua condição
para obter vantagens em proveito próprio ou de terceiros),
corrupção passiva, formação de quadrilha
e tráfico de influência.
Ontem, Romero Menezes
já prestou depoimento à Polícia Federal. Tarso Genro disse que não há
a possibilidade de o delegado, em liberdade, interferir na condução
do inquérito. “A possibilidade de interferência é
zero. Ele não exerce mais nenhuma função na
Polícia Federal. Eu mesmo o afastei”, disse Tarso Genro,
que informou ainda que o delegado poderá responder a mais de
um inquérito. “Se houver suspeitas de que houve vazamento de
informações será um inquérito, que não
será o mesmo que vai apurar as acusações de
advocacia administrativa”, explicou.
A Operação
Toque de Midas foi realizada em julho deste ano pela PF nos estados do Amapá,
Pará e Distrito Federal. Ontem, também
foram presos o irmão de Romero, José Gomes de Menezes
Júnior, além de Renato Camargo dos Santos, diretor da
empresa EBX, uma holding (conglomerado de empresas) controlada pelo empresário Eike
Batista. A vencedora da licitação foi a empresa EBX. O cargo de Menezes já
está ocupado interinamente por Roberto Ciciliatti Troncon Filho,
diretor de Combate ao Crime Organizado da PF. Troncon Filho ressaltou que,
não há "prova cabal", contra Romero, mas que sua
prisão foi necessária, porque ele poderia
prejudicar as investigações no exercício de seu
cargo. A prisão do delegado tinha caráter temporário
de cinco dias.
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