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Brasília - Depois de mais de três
horas de reunião entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio
Lula da Silva, e do Paraguai, Fernando Lugo, os dois governos
decidiram formar uma mesa de conversação para discutir
alternativas que atendam aos interesses de ambos os países em
relação à tarifa paga pelo Brasil ao Paraguai
pela energia da Usina Hidrelétrica de Itaipu.
Em
entrevista coletiva após a reunião, os ministros das
Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim e do
Paraguai, Alejandro Hamed Franco, informaram que o grupo será
formado num prazo de dez dias para buscar soluções.
Amorim ressaltou que o Brasil está aberto a encontrar formas
criativas para resolver o problema. “Queremos que Brasil e Paraguai
se sintam atendidos pela riqueza gerada por Itaipu”, disse.
A alteração
do Tratado de Itaipu foi um dos principais temas de campanha de Lugo.
Para ele, o preço negociado deve levar em conta os valores
praticados no mercado. O Brasil paga atualmente US$ 45,31 pelo
megawatt-hora de Itaipu ao Paraguai.
Pelo Tratado de Itaipu,
cada um dos dois países tem direito a usar 50% da energia
gerada pela usina, mas como a demanda do Paraguai é menor
(apenas 5% do que teria direito), o país vende o restante ao
Brasil. A usina tem 14 mil megawatts de potência instalada e
atende a 19% da energia consumida no Brasil e a 91% do consumo
paraguaio.
Segundo Amorim, a
reunião dos presidentes também tratou da relação
comercial entre os dois países, de financiamentos a projetos
paraguaios, de cooperação na área social e da
situação dos brasileiros no Paraguai. “Ouvimos
palavras tranqüilizadoras no sentido de que haverá
tratamento justo e adequado aos brasileiros”, disse.
Também
participaram da reunião, no Palácio do Planalto, os
ministros de Minas e Energia, Edison Lobão; da Fazenda, Guido
Mantega; e do Desenvolvimento, Miguel Jorge; além do
presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek; do embaixador do Brasil
no Paraguai, Valter Pecly, e do assessor da Presidência para
Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.
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