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Nova York (Estados Unidos) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou hoje
(22) em Nova York que o governo esteja pensando em liberar a compra de
ações da Petrobras com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de
Serviço (FGTS), como foi divulgado ontem (21) pela imprensa. Lula disse que
nunca pensou nessa possibilidade e lembrou que esse tipo de notícia
mexe com o mercado e prejudica o país.
“Eu acho abominável alguém fazer uma manchete
irresponsável daquele jeito sem nunca ter conversado comigo e sem que
eu nunca tivesse sequer pensado na idéia. Se alguém quer dizer que o presidente da República pensa alguma coisa dessa magnitude, no mínimo
deveriam ter tido a responsabilidade de me consultar.”
Hoje pela manhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou que o governo esteja estudando o assunto e disse que em nenhum momento se cogitou a utilização desses recursos para compra de ações da Petrobras.
Lula disse que a crise financeira mundial não vai
ficar de fora em seu discurso de amanhã (23) na abertura da 63ª sessão
da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), mas sem criar
crise. “Eu tenho em conta que a situação é grave e que temos que
alertar os agentes mundiais sobre a crise”, disse.
Apesar de manter conversas diárias sobre o assunto
com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco
Central, Henrique Meirelles, Lula garante que não trabalha com a hipótese
de que a crise americana atinja o Brasil. “Até agora, com a
graça de Deus, ela não chegou perto de nós. Se tiver um problema de
crédito no mercado internacional para os programas de investimentos no
Brasil, vamos ter que resolver esse problema.”
Lula disse estar disposto a viajar o mundo todo
buscando empréstimos para não ter que paralisar obras no Brasil por
falta de investimentos.
O presidente ressaltou a importância de organismos
como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial se manifestarem
e tomarem medidas para regular o sistema financeiro internacional para
evitar especulações. “Quando é um país pequeno que tem uma crise, todos
eles dão palpite. Mas quando a maior economia do mundo entra em
colapso, não vemos nenhum palpite”, criticou.
Na avaliação de Lula, o governo americano tomou a
decisão adequada na última sexta-feira (19) ao liberar recursos para a
compra de títulos de empresas que estavam quebrando. “Se isso tivesse
sido feito antes, possivelmente a crise não tivesse ganhado a dimensão
que ela ganhou.” Para ele, a diversificação das exportações brasileiras
pode evitar que os efeitos da crise mundial sejam significativos para a
economia do país.
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