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Brasília - O pedido de vista do
ministro Carlos Alberto Menezes Direito, que suspendeu o julgamento no Supremo
Tribunal Federal (STF) do processo referente à legalidade de
títulos de posse na Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu,
na Bahia, provocou reações divergentes.
A ação, impetrada pela Fundação Nacional do Índio
(Funai),
tramita na Justiça há 25 anos. Na área de 54,1 mil hectares vivem aproximadamente 4
mil índios Pataxó Hã-Hã-Hãe e
fazendeiros que obtiveram títulos de posse do governo do
estado.
O presidente da Funai, Márcio Meira, criticou o gesto
de Menezes Direito que, em agosto, já tinha pedido vista no julgamento sobre a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.
“Para nós é
um adiamento que não ajuda, pois sabemos que existe uma
situação de conflito, que também fica adiada.
Nossa avaliação é de que é um caso
simples, particular, simples, com mérito muito diferente do da
Raposa Serra do Sol.”
“A melhor solução
é a deliberação conclusiva, para que as regras
do jogo fiquem claras e que se dê segurança jurídica
para as partes”, acrescentou Meira.
Já o governo da
Bahia enxergou na suspensão a possibilidade de reforçar
argumentos em prol de uma decisão que não signifique a
retirada dos produtores rurais da área.
O voto do relator, ministro Eros Grau, foi pela nulidade de todos os títulos de
posse de fazendeiros que ocupam parte da reserva.
“O estado da Bahia
recebe bem esse pedido de vista, porque é sempre uma
possibilidade de se analisar melhor a questão. O certo é
que não houve demarcação efetiva da terra por
volta de 1930 e o governo federal não deveria ter tratado o
assunto com uma ação de caráter político,
ajuizada em 1982”, disse o advogado do governo baiano, Antonio
Vasconcelos.
O advogado-geral da
União, José Antônio Dias Toffoli, encarou com
naturalidade o pedido de vista, pelo fato de a decisão do STF
ser de última instância. A expectativa dele é
que o tribunal confirme a declaração de nulidade dos
títulos de posse, nos termos do voto do relator. “A decisão
final será tomada de uma maneira mais refletida, com mais
justiça”, ponderou Toffoli.
Para o cacique pataxó
Acanauã Bainã, a postura do ministro Menezes Direito
não se justifica porque “há 25 anos o Brasil e o
mundo conhecem esse processo”.
O advogado dos fazendeiros, José
Guilherme Vilela, disse que mantém o otimismo em uma decisão
final que permita a permanência dos produtores na região.
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