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24 de Setembro de 2008 - 20h26 - Última modificação em 24 de Setembro de 2008 - 20h26


Produção de álcool fará Brasil ter canavial maior que Portugal, segundo técnico do governo

Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - A produção brasileira de álcool combustível vai mais que dobrar nos próximos dez anos e a área plantada com cana-de-açúcar para fabricação do produto chegará a quase dez milhões de hectares. A informação foi divulgada hoje (24) pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, que apresentou a projeção do mercado de etanol até 2017.

Para suprir esse crescimento no mercado de álcool, a EPE projeta aumentar em 246 o número de usinas, somadas às 393 em operação hoje, o que vai impulsionar a área plantada de cana. Atualmente, são 3,5 milhões de hectares de canaviais somente para a produção de álcool, número que vai quase triplicar em uma década, chegando a 9,7 milhões de hectares, o que representa 97.000 quilômetros quadrados - tamanho superior ao território de Santa Catarina (95.442 quilômetros quadrados) ou à área de Portugal (92.389 quilômetros quadrados).

Apesar do aumento expressivo da área plantada, Tolmasquim diz que isso não vai impactar sobre as regiões da Amazônia ou do Pantanal. “Não existe hipótese de o etanol atingir a Floresta Amazônica. Existem hoje solos muito bons e disponíveis em quantidade no Brasil, suficientes para a expansão do etanol”, afirmou o presidente da EPE. Segundo ele, a plantação de cana não substituirá as pastagens, obrigando-as a ocupar as áreas de florestas. “Não é necessário se expulsar nenhuma pastagem, basta criar gado de uma maneira mais intensiva”, disse.

Atualmente o Brasil tem um rebanho de 207,1 milhões de cabeças para uma área de pastagem ao redor de 200 milhões de hectares, o que dá apenas uma cabeça para cada hectare, de acordo com os números apresentados por Tolmasquim, citando dados do IBGE.

Segundo os números da EPE, o consumo de álcool veicular no país saltará de 20,3 bilhões de litros, este ano, para 53,2 bilhões, em 2017. O aumento na demanda é puxado pelo crescimento da frota de carros de passeio no país, que hoje é pouco superior a 23 milhões e chegará 37 milhões em uma década, com a incorporação de três milhões de veículos leves por ano, sendo 93,5% com motores flex, que aceitam gasolina e álcool.

Essa característica dá ao consumidor brasileiro, segundo Tolmasquim, um controle sobre o preço do álcool, que será trocado pela gasolina, se os usineiros impuserem um valor muito alto. “Hoje, o Brasil tem algo que é fundamental, que é o carro flex fuel. Ele dá um poder ao consumidor, que muda de combustível se o preço do etanol não for competitivo”, disse.



 


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