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Brasília - O procurador-geral da
República, Antonio Fernando Souza, reiterou hoje (24) aos ministros
do Supremo Tribunal Federal (STF) o parecer do Ministério Público Federal pela
declaração da nulidade dos títulos de posse
emitidos para fazendeiros pelo governo da Bahia, em áreas
dentro da Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu.
“A despeito das
terras terem sido demarcadas pela União, o estado da Bahia
expediu ilegalmente títulos para particulares. A perícia
antropológica e as provas testemunhais confirmam o direito de
posse dos índios sobre a terra.”
Souza também
rechaçou a validade de documentos do Ministério da
Agricultura, citados pela defesa do estado da Bahia para supostamente
comprovar a ausência de ocupação indígena
na região. Segundo o procurador, somente “manifestações
irresponsáveis de servidores dão conta do fim da
ocupação indígena”.
Depois da apresentação
do parecer do procurador, o julgamento no STF foi interrompido para um
intervalo. Ele será retomado com o voto do relator, ministro
Eros Grau.
Os índios Pataxó
Hã Hã Hãe que acompanham a audiência aproveitaram para recomeçar danças e cantos do lado de
fora do tribunal.
O STF julga na tarde de hoje (24) ação em que a Fundação Nacional do Índio (Funai) pede que
sejam declarados nulos títulos de propriedade de imóveis
rurais na Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu. Na área, vivem aproximadamente 4 mil índios
Pataxó Hã-Hã-Hãe e fazendeiros que obtiveram títulos de posse do
governo do estado. A ação tramita na Justiça há
25 anos.
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