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Brasília - O sargento Idalberto Martins de Araújo, do serviço de inteligência da
Aeronáutica, revelou hoje (24), em depoimento à
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas,
que indicou também o sargento da reserva da Aeronáutica, que conhece apenas pelo nome Rodopiano, para
trabalhar com o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, na Operação Satiagraha.
No inicio do depoimento, ele informou que havia
indicado o ex-agente do extinto Serviço Nacional de Inteligência (SNI)
Francisco Ambrósio ao delegado Protógenes Queiroz, para trabalhar na Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Segundo o sargento Idalberto,
depois da indicação de Francisco Ambrósio, o delegado Protógenes pediu
a ele que indicasse outra pessoa para trabalhar na operação. “Aí eu
indiquei o sargento Rodopiano para trabalhar com ele no Rio de Janeiro”.
De acordo com o sargento Idalberto, que informou à
CPI que trabalha há 23 anos no serviço de inteligência da Aeronáutica,
o sargento Rodopiano também sempre trabalhou na área de inteligência.
“Nossa participação na operação foi apenas ajudar e atender a pedidos
do delegado Protógenes para indicar especialistas na área de
inteligência”. Segundo ele, as indicações das duas pessoas foram feitas
sem que o delegado Protógenes informasse porque estava precisando de
analistas para trabalhar. “Ele nos disse que precisava de analista
aposentado e que quisesse trabalhar com ele”, disse o sargento no depoimento à CPI.
O sargento Idalberto informou que já participou de
operação da Aeronáutica junto com a Polícia Federal, mas que nunca
atuou na área de escuta telefônica. Disse que sua área de atuação é
mais na análise de relatórios que são produzidos.
Após o depoimento, o presidente da CPI, deputado
Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse que os depoimentos de hoje de
Francisco Ambrósio e do sargento Idalberto contribuíram para
demonstrar que a Aeronáutica não participou de maneira formal da
operação Satiagraha. “Foi feita uma ação entre amigos, para obter
pessoas para fazer trabalho de investigação policial”.
Itagiba disse que a CPI quer saber dos setores
competentes porque o delegado Protógenes Queiroz teve que recorrer a terceiras
pessoas para fazer o seu trabalho. “Será que houve sonegação de meios
materiais e pessoais para que ele pudesse exercer sua função e
investigar organização criminosa? Essa é uma resposta que a Polícia
Federal terá que nos dar”. Itagiba disse, ainda, que a CPI quer
saber também de que forma são pagas essas pessoas para trabalhar na
operação.
Embora afirmando que a CPI trabalha com as
informações que são apresentadas pelos depoentes, o deputado Marcelo
Itagiba disse que não tem a menor dúvida de que "os organismos oficiais
possuem equipamentos de gravação e que existem pessoas treinadas e
habilitadas ao exercício do uso desses equipamentos”.
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