|
Brasília - Ao
anunciar a vitória da nova Constituição no referendo realizado ontem (28), o
presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou que o povo decidiu por
“um novo país” e que “as velhas estruturas foram
derrotadas”. Os resultados das pesquisas de boca-de-urna já
indicavam que a nova Carta equatoriana seria aprovada com cerca de 70% dos votos. As informações
são da BBC Brasil.
O líder
equatoriano aposta na mudança do modelo econômico,
previsto na nova Constituição, para alterar o projeto
neoliberal implementado nas últimas décadas. O país
aprovou a 20ª Constituição da história do
Equador desde que foi fundado como república, em 1830.
Para a
conformação da nova estrutura institucional será
constituído o Congresillo, uma espécie de
Parlamento transitório que assumirá as funções
do Poder Legislativo durante os próximos seis meses e nomeará
os representantes do Judiciário e dos demais organismos do
Estado.
O passo
seguinte será a realização de eleições
para cerca de três mil novos cargos públicos entre
governadores, prefeitos, deputados e presidente da
República. Correa conta, atualmente, com índices de
popularidade de cerca de 70%. Como a Constituição
prevê a reeleição presidencial, entre outras mudanças, ele poderia candidatar-se a um novo período e
governar o Equador até 2017.
Analistas
políticos acreditam que o atual prefeito de Guayaquil, Jaime
Nebot, seria o único opositor representante da “velha
política” capaz de fazer frente ao governo do atual
presidente. Ele advertiu Correa que fará com que o governo
respeite o direito de autonomia da cidade que governa e ameaçou,
na véspera do referendo (27), não concorrer às
novas eleições caso o “sim” saísse
vitorioso.
A partir de agora, uma das
tarefas do Legislativo será criar as
normas jurídicas para que as mudanças propostas na
Constituição saiam do papel. Quanto às
prioridades que serão estabelecidas na nova gestão do
governo, a receita proveniente do petróleo é o que
tende a estabelecer como e quanto avançar. Cerca de 50% do
orçamento do Estado equatoriano provém do petróleo
e o setor responde por 25% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de bens e serviços produzidos no país.
|