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Brasília -
Cerca
de mil pessoas participaram hoje (30), no município de Goiana,
na Zona da Mata pernambucana, de uma vigília pelo fim da
violência contra a mulher no estado.
De acordo com Joana Santos, coordenadora do Fórum
de Mulheres de Pernambuco, que organizou a manifestação,
205 mulheres foram assassinadas no estado de janeiro deste ano até
hoje e a mobilização é uma forma de chamar a
atenção da sociedade para o problema.
“É uma forma de estarmos na rua colocando
nosso protesto e indignação frente ao alto índice
de violência e assassinatos de mulheres aqui no estado”,
defendeu Joana.
Na avaliação da ativista, a
violência contra a mulher em Pernambuco é resultado de
uma série de fatores.
“São vários fatores que se
articulam. Eles vão da dimensão do patriarcado à
violência institucional, à violência física
e psicológica e se afirmam como uma forma de opressão
das mulheres”, afirmou.
A realização da vigília em
Goiana coincidiu com o encerramento de uma plenária de
mulheres da Zona da Mata, que concentra 37% dos casos de violência
contra a mulher no estado. A região é composta por mais
de 50 municípios.
“É uma região no qual
historicamente predomina um sistema coronelista, patriarcal e de
dominação econômica a partir da monocultura da
cana, mas que hoje também reúne vários
movimentos organizados de mulheres”, explicou Joana.
Uma das deliberações da plenária
foi uma moção pela implementação da Lei
Maria da Penha, que pune a violência doméstica contra a
mulher.
“Quando se trata do interior do estado é
mais difícil haver não só o acesso, mas a
própria existência dos serviços de atendimento à
mulher vítima de violência. Essa moção é
foi no sentido de chamar a atenção das estruturas
governamentais para pressionar os municípios a implementar os
serviços”, destacou.
Segundo Joana, até hoje apenas quatro
Delegacias de Atenção à Mulher (DAM) foram
implantadas em todo o estado de Pernambuco, cuja população
feminina ultrapassa 2,5 milhões de pessoas, conforme o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A
estimativa do movimento contra a violência contra a mulher é
que seria necessário instalar mais 36 Delegacias de
Atendimento à Mulher no estado.
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