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1 de Outubro de 2008 - 17h43 - Última modificação em 1 de Outubro de 2008 - 17h43


Índice de competitividade da Fiesp aponta o Brasil em 38º lugar entre 43 países

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

 
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São Paulo - O Brasil ocupa a 38ª posição entre 43 países que detêm 90% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, segundo o Índice da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) de Competitividade das Nações. No índice, divulgado hoje (1), o Brasil está no quarto quadrante e recebeu a nota 20,2, ficando atrás da Tailândia, África do Sul, Venezuela e México e na frente da Índia, Colômbia, Filipinas, Turquia e Indonésia, que ocupa o último lugar do ranking.

Os 40 mil dados, agrupados em oito fatores determinantes da competitividade (economia doméstica, abertura, governo, capital, infra-estrutura, tecnologia, produtividade e capital humano), são de 2006. Entretanto, alertou o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, passados dois anos, o país continua no mesmo patamar. “Fica claro nessa pesquisa que estamos avançando, mas tem outros países avançando em velocidade maior do que a nossa”.

De acordo com os dados, em 1997, o Brasil estava na mesma posição de hoje, mas computava 19,7 pontos. Em 1999, passou para a 40ª posição, com 14,9 pontos. Entre os países que ganharam competitividade de 1997 a 2006 aparecem a Rússia, a China e a Índia. Segundo Roriz, esses países cresceram porque definiram estratégias de desenvolvimento. “A Rússia, por exemplo, reduziu significativamente os custos de energia, telefonia, juros e spread, melhorou a infra-estrutura tecnológica e elevou a produtividade na indústria e serviços.”

Na maior parte da América Latina, porém, os países perderam competitividade nesse período. Entre os destaques, estão Argentina, Chile e México. “A Argentina teve problemas macroeconômicos, como inflação e baixo acesso ao crédito, além de baixos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, associados a baixos e decrescentes indicadores de tecnologia”, destacou Roriz.

O estudo divide ainda em dois grupos os países que apresentam as melhores práticas para alcançar níveis mais altos de competitividade. No primeiro grupo estão os países que já se enquadram no quadrante de países competitivos: Estados Unidos, Noruega, Japão, Suécia, Suíça, Hong Kong, Holanda, Coréia do Sul, Israel, Cingapura e Finlândia.

Tais países têm renda per capita similar à do Brasil e apresentam estratégias claras para alcançar esse desenvolvimento. Roriz apontou, entre as estratégias dos países mais competitivos, o ambiente favorável para investimentos e ganhos de produtividade, setor industrial de alta tecnologia e com alto valor agregado, com crescimento elevado e constante e melhora nos gastos sociais que elevam o nível dos recursos humanos.

Quanto ao Brasil, Roriz destacou que, apesar de o país ter apresentado ganho de competitividade um pouco acima da média, não há um projeto claro de desenvolvimento, o que faz com que todas as melhorias sejam fruto de improviso. Para ele, existem fatores que prejudicam a competitividade do Brasil, como o baixo investimento em pesquisa e desenvolvimento e em infra-estrutura, além de baixa formação bruta de capital fixo para investimento em máquinas e equipamentos.

Para alcançar maior nível de competitividade, Roriz considera essencial o país acelerar as reformas. necessárias. “Estamos praticamente na mesma situação de 10 anos atrás com relação às reformas da Previdência e judiciária. Para evoluir, temos que sair com essas reformas rapidamente.” O diretor da Fiesp destacou ainda a carga tributária, que, segundo ele, é muito maior do que a de outros países com os quais o a Brasil compete. Por isso, disse que é preciso um programa para reduzí-la.

Para Roriz, a crise financeira norte-americana e as expectativas quanto a seus possíveis impactos podem representar uma oportunidade para o Brasil crescer e aumentar sua competitividade. “Primeiro, para que o Brasil saia um pouco daquele oba-oba de que as coisas estavam maravilhosamente bem – e olhe que temos muita coisa para fazer, ou seja, não reformamos nada, nossa agenda de reformas está praticamente parada. Segundo, porque alguns países com quem concorremos terão problemas muito maiores do que os nossos, e é a oportunidade que temos de avançar.”







 


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