



|
São Paulo - O Brasil ocupa a 38ª
posição entre 43 países que detêm 90% do
Produto Interno Bruto (PIB) mundial, segundo o Índice da
Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp) de Competitividade das Nações. No índice,
divulgado hoje (1), o Brasil está no quarto quadrante e
recebeu a nota 20,2, ficando atrás da Tailândia, África
do Sul, Venezuela e México e na frente da Índia,
Colômbia, Filipinas, Turquia e Indonésia, que ocupa o
último lugar do ranking.
Os 40 mil dados, agrupados em oito fatores
determinantes da competitividade (economia doméstica,
abertura, governo, capital, infra-estrutura, tecnologia,
produtividade e capital humano), são de 2006. Entretanto,
alertou o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da
Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, passados dois anos, o país
continua no mesmo patamar. “Fica claro nessa pesquisa que estamos
avançando, mas tem outros países avançando em
velocidade maior do que a nossa”.
De acordo com os dados, em 1997, o Brasil estava
na mesma posição de hoje, mas computava 19,7 pontos. Em
1999, passou para a 40ª posição, com 14,9 pontos.
Entre os países que ganharam competitividade de 1997 a 2006
aparecem a Rússia, a China e a Índia. Segundo Roriz,
esses países cresceram porque definiram estratégias de
desenvolvimento. “A Rússia, por exemplo, reduziu
significativamente os custos de energia, telefonia, juros e spread,
melhorou a infra-estrutura tecnológica e elevou a
produtividade na indústria e serviços.”
Na maior parte da América Latina, porém,
os países perderam competitividade nesse período. Entre
os destaques, estão Argentina, Chile e México. “A
Argentina teve problemas macroeconômicos, como inflação
e baixo acesso ao crédito, além de baixos investimentos
em pesquisa e desenvolvimento, associados a baixos e decrescentes
indicadores de tecnologia”, destacou Roriz.
O estudo divide ainda em dois grupos os países
que apresentam as melhores práticas para alcançar
níveis mais altos de competitividade. No primeiro grupo estão
os países que já se enquadram no quadrante de países
competitivos: Estados Unidos, Noruega, Japão, Suécia,
Suíça, Hong Kong, Holanda, Coréia do Sul,
Israel, Cingapura e Finlândia.
Tais países têm renda per capita
similar à do Brasil e apresentam estratégias claras
para alcançar esse desenvolvimento. Roriz apontou, entre as
estratégias dos países mais competitivos, o ambiente
favorável para investimentos e ganhos de produtividade, setor
industrial de alta tecnologia e com alto valor agregado, com
crescimento elevado e constante e melhora nos gastos sociais que
elevam o nível dos recursos humanos.
Quanto ao Brasil, Roriz destacou que, apesar de o
país ter apresentado ganho de competitividade um pouco acima
da média, não há um projeto claro de
desenvolvimento, o que faz com que todas as melhorias sejam fruto de
improviso. Para ele, existem fatores que prejudicam a competitividade
do Brasil, como o baixo investimento em pesquisa e desenvolvimento e
em infra-estrutura, além de baixa formação bruta
de capital fixo para investimento em máquinas e equipamentos.
Para alcançar maior nível de
competitividade, Roriz considera essencial o país acelerar as
reformas. necessárias. “Estamos praticamente na mesma
situação de 10 anos atrás com relação
às reformas da Previdência e judiciária. Para
evoluir, temos que sair com essas reformas rapidamente.” O diretor
da Fiesp destacou ainda a carga tributária, que, segundo ele,
é muito maior do que a de outros países com os quais o
a Brasil compete. Por isso, disse que é preciso um programa
para reduzí-la.
Para Roriz, a crise financeira norte-americana e
as expectativas quanto a seus possíveis impactos podem
representar uma oportunidade para o Brasil crescer e aumentar sua
competitividade. “Primeiro, para que o Brasil saia um pouco
daquele oba-oba de que as coisas estavam maravilhosamente bem – e
olhe que temos muita coisa para fazer, ou seja, não reformamos
nada, nossa agenda de reformas está praticamente parada.
Segundo, porque alguns países com quem concorremos terão
problemas muito maiores do que os nossos, e é a oportunidade
que temos de avançar.”
|
|