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São Paulo - O Brasil permanece com
um grau muito elevado de impunidade, apesar de ter uma Constituição
avançada no aspecto dos direitos humanos. A opinião é
do subprocurador-geral da República Wagner Gonçalves,
manifestada hoje (2) no debate 20 anos da Constituição
Federal - Reflexões sobre a Interpretação das
Normas e a Impunidade, na Procuradoria Regional da República
da 3ª Região.
Segundo ele, não
é a Constituição que favorece a impunidade, mas
a interpretação que se faz dela. “Às vezes, a
forma como se interpreta a Constituição - e que gera
determinados limites para o andamento mais rápido de uma ação
penal - pode sim levar à impunidade”, afirmou.
“Têm
alguns réus que são mais iguais que outros e a situação
desses réus ou desses acusados são quase inatingíveis
pelo sistema, seja porque a quantidade de recursos é imensa no
nosso sistema, e que deveria ser mudada, seja porque esses processos
se eternizam e nunca chegam ao fim”, disse o subprocurador,
acrescentando que “os bons advogados sabem fazer durar o processo
até que haja prescrição”.
Wagner Gonçalves
afirmou que os réus que se beneficiam da impunidade pertencem
a três categorias: a do poder econômico, a do poder
político e a do agente de Estado.
“Se o [banqueiro]
Daniel Dantas for condenado por corrupção ele vai para
a cadeia? Talvez nunca. Talvez [o crime que cometeu] prescreva
antes. O juiz Nicolau dos Santos Neto ficou preso e todo mundo acha
que ele cumpriu a sentença. Não. Ele foi preso porque
fugiu”, disse.
Ele acredita que o
combate à impunidade pode começar com a diminuição
dos recursos judiciais, pelo respeito às coisas julgadas e com
a maior aproximação entre as diferentes instituições,
como a união entre a polícia e o Ministério
Público.
“Para acabar com isso
[impunidade] as instituições precisam estar
trabalhando em conjunto e não separadamente”, defendeu.
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