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3 de Outubro de 2008 - 15h03 - Última modificação em 3 de Outubro de 2008 - 15h37


Cientista político diz que candidatura de ACM Neto fez "carlismo" parar de sangrar

Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Mesmo considerando a hipótese de um segundo turno sem a presença do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) em Salvador, o cientista político Paulo Fábio Dantas Neto, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), disse que a campanha de ACM Neto já cumpriu o principal papel para seu grupo político: “estancar a sangria” que o "carlismo” (referência ao falecido senador e governador Antonio Carlos Magalhães, o ACM) vinha sofrendo desde que perdeu as eleições para o governo do estado, em 2006.

Embora as pesquisas apontem ACM Neto ligeiramente à frente, é possível que a disputa se dê entre os candidatos Walter Pinheiro (PT) e João Henrique (PMDB), que estão empatados em segundo lugar. Isso se deve à trajetória descendente de ACM Neto e a seu alto grau de rejeição. Além de os índices de rejeição a Pinheiro e João Henrique serem bem menores que o do candidato democrata, ambos fizeram campanha com índices ascendentes de popularidade.

Dantas Neto destacou, entretanto, o fato de ACM Neto ter conseguido unir novamente o "carlismo", o que pode render frutos ao grupo nas eleições de 2010. “Ele conseguiu congregar, conseguiu estancar esse processo de divisão e se manter no páreo para disputar as eleições em 2010”, disse.

Para Dantas Neto, se ACM Neto não for para o segundo turno, a impressão será de derrota, porque ele começou na liderança, mas na verdade chegar à posição de quase ir para o segundo turno, ter papel influente na decisão das eleições e índice de votos próximo ao de quatro anos atrás, com o senador César Borges, já “é um grande feito”. Isso depois de sofrer um revés no governo do estado, com a vitória de Jaques Wagner, do PT, em 2006, destacou. “Isso não pode ser considerado totalmente uma derrota”, constatou.

Dantas é autor do livro Tradição, Autocracia e Carisma: A Política de Antonio Carlos Magalhães, em que analisa a forma de fazer política e a ascensão e queda do "carlismo" na Bahia. Ele aponta ACM Neto como herdeiro de um trono que já não existe mais.

“A decadência do 'carlismo' vem de bem antes da morte do senador Antônio Carlos Magalhães [DEM-BA]. A morte do senador não foi um marco, como muitos pensam. Na verdade, é preciso não esquecer que, quando ele faleceu, já estava fora do poder. Estava fora do poder estadual e fora do poder no plano federal. É curioso se referir à morte dele como se estivesse discutindo um espólio, a herança de um trono. É um trono que não havia mais. Era um político influente, mas que já não comandava sozinho sequer o seu próprio grupo político”, analisou.

A falta de unidade no grupo de ACM, para o cientista político, já se revelara no ínicio dessa década. “Desde o início da década que o grupo 'carlista' já era dirigido de uma forma mais colegiada. Eles mantinham a relação vertical com as bases, com os prefeitos e com os deputados. Mas, na cúpula, não era mais o comando unipessoal, como ocorria nos anos 1990”, lembrou o cientista, que exemplificou sua tese com a atuação do ex-governador Paulo Souto e até a própria atuação do ex-prefeito Antônio Imbassahy, atual candidato à prefeitura de Salvador, que rompeu com o então PFL e se filiou ao PSDB.

“O próprio Imbassahy, quando esteve lá [no PFL] não encontrou uma relação de ordem unida, como funcionava nos anos 1990”, destacou.

Desde o início, a candidatura de ACM Neto foi encarada como fundamental para a sobrevivência do partido perante a derrota nas eleições estaduais e a ainda crescente influência do PMDB, liderado pelo ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), que possui uma grande penetração na capital e também no interior do estado.

Menos de um ano depois da eleição de Jaques Wagner e menos de seis meses da morte de ACM, o partido contabilizava a perda de uma série de lideranças. Em 2004, o então PFL havia eleito 155 prefeitos, número que no início desse ano já havia sido reduzido para 60. “Foram as migrações, pessoas que se elegeram pelo PFL, mas depois mudaram, principalmente para os partidos da base do governo”, explicou Dantas Neto. Nesse período, o partido também perdeu três deputados federais, um senador e um deputado estadual.

Já o PMDB, que era um partido muito pequeno em meio à política bipolarizada na Bahia, entre o PT e os "carlistas", viu seu número de prefeitos subir de 14 para 121 nos últimos dois anos.



 


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