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Brasília - Mesmo considerando a
hipótese de um segundo turno sem a presença do deputado
Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) em Salvador, o cientista
político Paulo Fábio Dantas Neto, da Universidade
Federal da Bahia (UFBA), disse que a campanha de ACM Neto já
cumpriu o principal papel para seu grupo político:
“estancar a sangria” que o "carlismo” (referência ao falecido senador e governador Antonio Carlos Magalhães, o ACM) vinha sofrendo desde que
perdeu as eleições para o governo do estado, em 2006.
Embora as pesquisas apontem ACM Neto ligeiramente
à frente, é possível que a disputa se dê
entre os candidatos Walter Pinheiro (PT) e João Henrique
(PMDB), que estão empatados em segundo lugar. Isso se deve à
trajetória descendente de ACM Neto e a seu alto grau de
rejeição. Além de os índices de rejeição
a Pinheiro e João Henrique serem bem menores que o do candidato
democrata, ambos fizeram campanha com índices ascendentes de
popularidade.
Dantas Neto destacou, entretanto, o fato de ACM
Neto ter conseguido unir novamente o "carlismo", o que pode render
frutos ao grupo nas eleições de 2010. “Ele conseguiu
congregar, conseguiu estancar esse processo de divisão e se
manter no páreo para disputar as eleições em
2010”, disse.
Para Dantas Neto, se ACM Neto não for para o
segundo turno, a impressão será de derrota, porque ele
começou na liderança, mas na verdade chegar à
posição de quase ir para o segundo turno, ter papel
influente na decisão das eleições e índice
de votos próximo ao de quatro anos atrás, com o senador
César Borges, já “é um grande feito”. Isso
depois de sofrer um revés no governo do estado, com a vitória
de Jaques Wagner, do PT, em 2006, destacou. “Isso não pode
ser considerado totalmente uma derrota”, constatou.
Dantas é autor do livro Tradição,
Autocracia e Carisma: A Política de Antonio Carlos Magalhães,
em que analisa a forma de fazer política e a ascensão e
queda do "carlismo" na Bahia. Ele aponta ACM Neto como herdeiro de um
trono que já não existe mais.
“A decadência do 'carlismo' vem de bem antes
da morte do senador Antônio Carlos Magalhães [DEM-BA].
A morte do senador não foi um marco, como muitos pensam. Na
verdade, é preciso não esquecer que, quando ele
faleceu, já estava fora do poder. Estava fora do poder
estadual e fora do poder no plano federal. É curioso se
referir à morte dele como se estivesse discutindo um espólio,
a herança de um trono. É um trono que não havia
mais. Era um político influente, mas que já não
comandava sozinho sequer o seu próprio grupo político”,
analisou.
A falta de unidade no grupo de ACM, para o
cientista político, já se revelara no ínicio
dessa década. “Desde o início da década que o
grupo 'carlista' já era dirigido de uma forma mais colegiada.
Eles mantinham a relação vertical com as bases, com os
prefeitos e com os deputados. Mas, na cúpula, não era
mais o comando unipessoal, como ocorria nos anos 1990”, lembrou o
cientista, que exemplificou sua tese com a atuação do
ex-governador Paulo Souto e até a própria atuação
do ex-prefeito Antônio Imbassahy, atual candidato à
prefeitura de Salvador, que rompeu com o então PFL e se filiou
ao PSDB.
“O próprio Imbassahy, quando esteve lá
[no PFL] não encontrou uma relação de ordem
unida, como funcionava nos anos 1990”, destacou.
Desde o início, a candidatura de ACM Neto
foi encarada como fundamental para a sobrevivência do partido
perante a derrota nas eleições estaduais e a ainda
crescente influência do PMDB, liderado pelo ministro Geddel
Vieira Lima (Integração Nacional), que possui uma grande penetração na capital
e também no interior do estado.
Menos de um ano depois da eleição de
Jaques Wagner e menos de seis meses da morte de ACM, o partido
contabilizava a perda de uma série de lideranças. Em 2004, o
então PFL havia eleito 155 prefeitos, número que no
início desse ano já havia sido reduzido para 60. “Foram as
migrações, pessoas que se elegeram pelo PFL, mas depois
mudaram, principalmente para os partidos da base do governo”,
explicou Dantas Neto. Nesse período, o partido também
perdeu três deputados federais, um senador e um deputado
estadual.
Já o PMDB, que era um partido muito pequeno
em meio à política bipolarizada na Bahia, entre o PT e os
"carlistas", viu seu número de prefeitos subir de 14 para 121
nos últimos dois anos.
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