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3 de Outubro de 2008 - 15h37 - Última modificação em 3 de Outubro de 2008 - 19h06


Medidas do BC servem para amenizar o impacto da crise americana, diz economista da USP

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - As duas medidas anunciadas  no espaço de poucos dias pelo Banco Central em relação aos compulsórios bancários contribuem para amenizar o impacto da crise econômica externa sobre os bancos de pequeno porte, analisou hoje (3), em entrevista à Agência Brasil, o professor de Finanças da Universidade de São Paulo (USP), Rafael Paschoarelli.

No último dia 24, o BC resolveu adiar o prazo de recolhimento dos depósitos compulsórios das empresas de leasing e ontem (2), anunciou mais uma alteração nos recolhimentos compulsórios. Dessas vez, sobre depósitos a prazo, em títulos públicos federais, visando a dar mais fôlego às pequenas e médias instituições financeiras, em razão da escassez de crédito, agravada pela crise internacional.

Paschoarelli questionou, entretanto, se as medidas vão ser suficientes para alcançar seu objetivo. “Isso eu não sei.” Ele acredita que o Banco Central possa estar se antecipando a uma situação de crise mais grave no setor financeiro nacional. “O Banco Central está vendo coisas que nós não vemos. Ele monitora os bancos com a posição que eles estão captando e emprestando”, explicou.

Segundo o professor da USP, o aperto do crédito faz com que os bancos menores tenham mais dificuldade em captar dinheiro. “O que eu estou ponderando é o que o Banco Central sabe, em relação aos bancos menores, que o mercado inteiro não sabe. Pode haver uma situação mais grave que a gente não esteja sabendo. E o Banco Central esteja se antecipando a isso”, previu.

Para ele, pode haver uma razão mais forte para que o BC tome duas medidas importantes numa única semana,  com o objetivo de facilitar a vida dos bancos pequenos.

Na opinião do professor, os bancos brasileiros de menor porte já estão contagiados pela crise mundial. Ele só não soube dar a dimensão desse quadro. “Os bancos menores são  mais frágeis. E a captação deles é mais cara. No atual momento, eles são os primeiros a sofrer.”

Ele afirmou que a importância dos bancos pequenos é relativa. Mas destacou que a saúde do sistema financeiro como um todo “é um valor a ser preservado. E isso passa pela preservação da saúde financeira dos bancos menores. As medidas são salutares”.

O economista avaliou também que as medidas do BC contribuem para acalmar a bolsa de valores, que vem enfrentando quedas significativas nos últimos dias.Já para o economista José Márcio Camargo, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), as medidas do BC são uma “coisa natural” face à falta de liquidez no mercado.

Ele lembrou que os bancos se financiam via mercado de crédito. Ou seja, as instituições pegam dinheiro emprestado e investem, também emprestam para pessoas físicas ou financiam investimentos para empresas.

Camargo destacou que o prazo dos empréstimos para os bancos pode ser, por exemplo, de dois anos. Enquanto, para as pessoas e empresas financiadas por eles pode ser de cinco anos. “Então, ao longo do tempo, vão vencendo os empréstimos que eles têm que renovar. Se você tem uma restrição de crédito, o que acontece é que eles não conseguem renovar os empréstimos que estão vencendo ao longo do processo”, explicou.

José Márcio Camargo afirmou que, como há, no momento atual, uma retração forte de crédito vindo do exterior, as taxas de renovação aumentaram muito. E isso tende a pressionar os bancos, sobretudo os de menor porte, que não têm muitas outras fontes de financiamento. Embora os bancos menores tenham tomado muito dinheiro emprestado e financiado uma série de investimentos de longo prazo, em especial aqueles ligados ao setor imobiliário, Camargo avaliou que não deverá haver problemas no sistema financeiro como um todo.

“Você pode ter problemas em um ou outro banco pequeno que está muito alavancado. Eu não vejo problema com os bancos comerciais,  nem com os grandes bancos de investimento. Nada disso. Pode ter problema com os bancos menores, que se alavancaram nos últimos dois ou três anos, com emissão de ações e empréstimos e estão financiando o mercado imobiliário de longo prazo. Mas, acredito que [não seja] nada muito grave”, concluiu.








*Atualizada para acréscimo de informações
 


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