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Rio de Janeiro - O impacto da crise financeira nos Estados Unidos ainda não chegou aos juros no varejo. A afirmação é do chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central. Em entrevista à Agência Brasil, o economista disse que o aumento dos juros já está ocorrendo, mas nos bancos. “[No] comércio, ainda não, porque precisa vender. Acho que não está havendo nenhum impacto não.” Para ele, o impacto da crise externa sobre o comércio ainda vai demorar. “O comércio está mais preocupado em vender do que em ganhar em cima da prestação. Isso é mais para banco, que faz o financiamento”.
Carlos Thadeu acha que as taxas de juros vão ficar mais altas, e o crédito, mais curto. “Mas, por enquanto, é uma decisão das instituições financeiras. Não é, necessariamente, uma decisão de quem vende.”
O coordenador do Núcleo Econômico da Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio), João Carlos Gomes, disse que não tem, até agora, informações sobre aumento de juros no varejo, por causa da crise econômica. Segundo ele, os juros estão aumentando desde o início do ano, mas por outros motivos, como o crescimento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e, mais recentemente, as medidas adotadas pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de elevação dos juros para combater a inflação.
A tendência já é de desaceleração natural para 2009, provocada pelos reflexos da crise internacional, afirmou. Para Gomes, diante desse quadro, o instrumento de política monetária nos juros “perde a necessidade, uma vez que vai haver desaceleração no ano que vem, provocada por essa restrição de crédito”.
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