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São Paulo - A maior conseqüência
da crise econômica norte-americana para o Brasil é a
falta de crédito, principalmente para exportação,
além de uma reação das instituições
financeiras, que também estão reduzindo o crédito.
A afirmação foi feita hoje (3) pelo ministro da
Fazenda, Guido Mantega, após participar de encontro com
empresários da Associação Brasileira da
Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
Segundo o ministro, a
fase atual da crise é aguda e passageira. “O papel das
autoridades é aumentar a liquidez do sistema. Nós
estamos irrigando o sistema – já estamos irrigando com
dólares, com os leilões que estão sendo feitos
pelo Banco Central.”
Ele reforçou que o governo está
disposto a recorrer a outros instrumentos, caso seja necessário, e
que poderá também usar as reservas de “maneira
criativa”, para irrigar o crédito, e diminuir o compulsório,
para que as instituições financeiras maiores possam
comprar carteiras das menores.
Mantega não quis adiantar quais seriam as
“maneiras criativas” de usar as reservas, mas citou como exemplo
o leilão de dólares como forma de manter as reservas no
mesmo patamar, porém dando mais liquidez às linhas de
crédito internacional.
“Quero deixar muito claro que não há
problema de solvência na economia brasileira, e sim problemas
de liquidez, por causa dessa fase aguda da crise. Se a liquidez for
recomposta, está tudo bem porque as instituições
não têm ativos podres. Mesmo as instituições
médias e pequenas, que neste momento têm mais
dificuldade, têm boas carteiras. Podem ter alguma dificuldade
momentânea, então, o governo vai liberar compulsórios
para os bancos que quiserem comprar.”
O ministro lembrou que o Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve liberar este
ano R$ 90 bilhões em crédito, o que está sendo
feito gradativamente. “Claro que a demanda subiu porque houve uma
restrição de linhas internacionais e de IPO [menos
oferta de ações no mercado],
então aumentou a demanda sobre o BNDES.”
Ele disse acreditar que a restrição
ao crédito feita pelo setor privado seja temporária,
porque a tensão existente no mercado internacional deve
diminuir com o pacote econômico do governo dos Estados Unidos,
que já foi aprovado pelo Congresso americano, e com o pacote que está em
elaboração pela União Européia. “Nós
sairemos do stress, as linhas serão reativadas, talvez
não na mesma dimensão atual, mas o suficiente para dar
crédito e manter o comércio internacional brasileiro no
mesmo patamar.”
Mantega repetiu várias vezes que as
exportações brasileiras não estão sendo
atingidas ou prejudicadas e que o governo está mantendo o
ritmo de exportações e de importações.
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