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4 de Outubro de 2008 - 17h02 - Última modificação em 4 de Outubro de 2008 - 17h39


Lula diz que não haverá pacote e critica Aracruz e Sadia por "ganância"

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

 
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São Paulo - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje (4), em São Bernardo do Campo, que as empresas Aracruz e Sadia estavam especulando e por isso tiveram perdas com a valorização do dólar no mercado financeiro brasileiro. Lula negou a adoção de um pacote de medidas para fazer frente à crise financeira internacional e disse que os efeitos serão combatidos com medidas pontuais, quando necessárias.

“Essas empresas, no fundo, no fundo, estavam especulando contra a moeda brasileira. Portanto, não tiveram prejuízo. Elas praticaram, por conta própria, por ganância, esse prejuízo. Portanto, não coloque isso na crise não. Isso é problema delas, que tentaram especular de forma pouco recomendada”, afirmou o presidente.

As duas empresas apostaram na cotação baixa do dólar e realizaram contratos futuros na expectativa da não valorização da moeda norte-americana. Se o dólar caísse abaixo do que foi contratado, as empresas obteriam lucro. A manobra é conhecida como hedge. Mas com a valorização do dólar diante do real, tiveram perdas nas operações, o que motivou a queda de suas ações.

A assessoria de imprensa da Aracruz disse que não iria responder os comentários do presidente Lula. A Agência Brasil não conseguiu, até o momento, falar com a assesssoria da  Sadia.

O fato de a General Motors (GM) ter comunicado ontem ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos que vai conceder férias coletivas aos seus funcionários entre 20 de outubro e 21 de novembro não tem relação com a crise financeira internacional, segundo Lula. “O que eu sei é que a GM está produzindo como nunca no Brasil e que anunciou novos investimentos no país. Talvez faça parte da estratégia dela para trabalhar no ano que vem a todo vapor”, afirmou.

De acordo com o presidente, a crise americana “é um tsunami” nos Estados Unidos e vai chegar ao Brasil como “uma marolinha, não dando nem para esquiar”.O presidente comparou o pacote de socorro às instituições financeiras com o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer), criado no Brasil na década de 90 para reestruturar o sistema financeiro. “O governo [americano] teve que cobrir um buraco de US$ 850 bilhões. Só para o povo brasileiro ter uma idéia, é equivalente a R$ 1,7 trilhão. É importante lembrar que no Proer brasileiro foram  R$ 24 bilhões. É uma crise muito forte”, disse.

Apesar disso, o presidente fez elogios ao pacote anunciado pelos Estados Unidos e ao apoio do Congresso ao apelo feito pelo presidente George W. Bush e pelos dois candidatos à Presidência, John McCain e Barack Obama, mesmo que leve algum tempo para ser implementado.

Lula negou que o governo brasileiro esteja pensando em adotar um  pacote de medidas para conter os efeitos da crise econômica mundial. “Não existirá pacote. Nós vamos tomar medidas pontuais para que a gente acompanhe a economia mundial e o seu desenrolar. O povo brasileiro pode ficar tranqüilo”, disse. Para o presidente, o Brasil vai ensinar ao mundo “como é que se vence uma crise”. "Não podemos ficar olhando de papo para ar, chorando e esperando que o Bush resolva a crise. Somos nós que temos que resolver".

 


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