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6 de Outubro de 2008 - 17h15 - Última modificação em 6 de Outubro de 2008 - 18h03


Banco Central oferecerá linha de crédito para exportadores com dólares das reservas

Stênio Ribeiro e Wellton Máximo
Repórteres da Agência Brasil

 
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Marcello Casal Jr./ABr
Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em entrevista sobre a crise financeira internacional. Foi anunciado um crédito extra de US$ 5 bilhões para embarque de mercadorias para o exterior
Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em entrevista sobre a crise financeira internacional. Foi anunciado um crédito extra de US$ 5 bilhões para embarque de mercadorias para o exterior
Brasília - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, anunciou hoje (6) que a instituição oferecerá linha de crédito com os dólares das reservas internacionais para financiar as exportações.

Segundo Meirelles, o BC comprará títulos de bancos privados no exterior e pagará às instituições com a moeda norte-americana das reservas. Depois de um prazo, a autoridade monetária devolverá os títulos aos bancos, que reembolsarão os dólares que receberam.

Meirelles esclareceu que a operação, na prática, funcionará como um empréstimo e não consumirá as reservas internacionais brasileiras, atualmente em US$ 207 bilhões. Isso porque os dólares das reservas serão devolvidos posteriormente.

“Esse é um uso inteligente das nossas reservas”, afirmou.

O presidente do BC não forneceu detalhes sobre as linhas de crédito, como o prazo dos contratos e o volume de moeda norte-americana a ser ofertado. No entanto, Meirelles ressaltou que a instituição tem US$ 23 bilhões disponíveis para atuar no mercado futuro.

A sistemática é a mesma dos US$ 2,5 bilhões leiloados pelo Banco Central desde o agravamento da crise internacional. Nas últimas duas semanas, o BC vendeu US$ 1 bilhão, com a recompra futura contratada.

Ao jogar dólares no mercado, o BC fica com a contrapartida depositada em reais, mas recebe de volta a moeda norte-americana numa etapa seguinte.

“Na realidade, o que ocorre é uma troca de ativos, que permite manter o patamar de reservas e irrigar o sistema de comércio exterior”, explicou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

No leilão de US$ 1,5 bilhão de swap cambial, realizado hoje pela primeira vez desde maio de 2006, o processo foi semelhante.

Na operação, que funciona como uma venda de dólares no mercado futuro e pressiona para baixo a cotação da moeda norte-americana, o Banco Central aposta na alta do dólar e os investidores, na alta dos juros.

No vencimento do contrato, as duas partes trocam de rendimentos e, na prática, o BC assume o prejuízo da subida do dólar. Como a operação é feita com recursos do próprio Banco Central, sem interferir no volume das reservas internacionais.

Meirelles assegurou ainda que o BC está preparado para tomar medidas adicionais. “Temos mais de US$ 200 bilhões em reservas internacionais, mais de US$ 20 bilhões no mercado futuro, além de R$ 200 bilhões em depósitos compulsórios”, ressaltou.

Na avaliação do presidente do Banco Central, esses recursos só foram possíveis por causa da atuação da instituição, que adquiriu dólares no mercado futuro quando a moeda norte-americana estava em baixa. “Essas operações foram muitos criticadas em alguns momentos [porque ampliou os prejuízos do BC], mas são importantes quando o país precisa de recursos, como agora”, ressaltou.


* colaborou Mylena Fiori
 


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