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6 de Outubro de 2008 - 15h49 - Última modificação em 6 de Outubro de 2008 - 15h49


Cientista político diz que aliança PSDB-PT em BH é fruto de erros estratégicos

Marco Antônio Saolheiro
Enviado Especial

 
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Belo Horizonte - O governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), definiram a aliança informal em torno da candidatura de Márcio Lacerda (PSB), como um gesto de desprendimento em benefício da cidade. Mas, na avaliação do cientista político da PUC-Minas, Malco Camargos, a união ocorreu mais em virtude de erros estratégicos das legendas e dos caciques.

“Pimentel não soube preparar alguém para ser o seu sucessor em Belo Horizonte e o PSDB, em nenhum momento, conseguiu construir, na oposição, alternativas para atrair a preferência da população”, disse Camargos, ao lembrar que, há 16 anos, a cidade é administrada por partidos de centro-esquerda.

Camargos apontou como um dos fatores que levou Leonardo Quintão (PMDB) ao segundo turno contra Lacerda, lacunas no discurso de apresentação da candidatura do socialista. “Em um primeiro momento, o eleitor se encanta com o aval de Aécio e Pimentel. O eleitor foi seduzido. Mas, com o passar do tempo, quis conhecer mais sobre Lacerda, e a campanha não trabalhou com isso”, assinalou o cientista político.

“Um governante é um líder, e não um gerente. A falta de passado político de Lacerda poderia ter sido superada com uma imagem de independência”, acrescentou.

Já em relação a Quintão, Camargos apontou como principal mérito do candidato a adoção de um contato direto com o eleitor. “Ele aprendeu a se comunicar com o eleitor na primeira pessoa, olho no olho. Esse jeito tem sido reforçado e dado certo”, disse.

Ao prever uma disputa acirrada entre os dois candidatos, o cientista político lembrou que o resultado das urnas poderá influenciar diretamente os planos dos caciques mineiros para 2010, seja para o governo estadual, seja para a eleição presidencial.

“O governador Aécio dizia, antes do primeiro turno, que a vitória de Lacerda seria um exemplo para o Brasil. Mas esqueceram de combinar com o eleitor. Ganhar, virou uma obrigação, e perder, virou vergonha. É igual brigar com bêbado”, disse.

Malco Camargos prevê que as campanhas de Quintão e Lacerda intensifiquem ataques pessoais, no segundo turno. A tentativa da coligação de Lacerda de caracterizar Quintão como um candidato de direita é vista com ressalvas pelo cientista político.

“Se a campanha foi despolitizada até aqui, o responsável foi o candidato da aliança PSDB-PT. Retomar o debate no campo ideológico é contraditório e perigoso quando colocado por eles”, disse.

Já a candidatura do PMDB carece de propostas mais exeqüíveis, segundo Camargos. “A candidatura dele [Quintão] circula em torno dos mesmos temas e considero pouco embasada em relação às necessidades do município”, concluiu o cientista político.



 


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