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Belo Horizonte - O
governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito de Belo Horizonte,
Fernando Pimentel (PT), definiram a aliança informal em torno da
candidatura de Márcio Lacerda (PSB), como um gesto de
desprendimento em benefício da cidade. Mas, na avaliação
do cientista político da PUC-Minas, Malco Camargos, a união
ocorreu mais em virtude de erros estratégicos das legendas e
dos caciques.
“Pimentel
não soube preparar alguém para ser o seu sucessor em
Belo Horizonte e o PSDB, em nenhum momento, conseguiu construir, na
oposição, alternativas para atrair a preferência
da população”, disse Camargos, ao lembrar que, há
16 anos, a cidade é administrada por partidos de
centro-esquerda.
Camargos
apontou como um dos fatores que levou Leonardo Quintão (PMDB)
ao segundo turno contra Lacerda, lacunas no discurso de apresentação
da candidatura do socialista. “Em um primeiro momento, o eleitor se
encanta com o aval de Aécio e Pimentel. O eleitor foi
seduzido. Mas, com o passar do tempo, quis conhecer mais sobre
Lacerda, e a campanha não trabalhou com isso”, assinalou o
cientista político.
“Um
governante é um líder, e não um gerente. A falta
de passado político de Lacerda poderia ter sido superada com
uma imagem de independência”, acrescentou.
Já
em relação a Quintão, Camargos apontou como
principal mérito do candidato a adoção de um
contato direto com o eleitor. “Ele aprendeu a se comunicar com o
eleitor na primeira pessoa, olho no olho. Esse jeito tem sido
reforçado e dado certo”, disse.
Ao
prever uma disputa acirrada entre os dois candidatos, o cientista
político lembrou que o resultado das urnas poderá
influenciar diretamente os planos dos caciques mineiros para 2010,
seja para o governo estadual, seja para a eleição
presidencial.
“O
governador Aécio dizia, antes do primeiro turno, que a vitória
de Lacerda seria um exemplo para o Brasil. Mas esqueceram de combinar
com o eleitor. Ganhar, virou uma obrigação, e perder,
virou vergonha. É igual brigar com bêbado”, disse.
Malco
Camargos prevê que as campanhas de Quintão e Lacerda
intensifiquem ataques pessoais, no segundo turno. A tentativa da
coligação de Lacerda de caracterizar Quintão
como um candidato de direita é vista com ressalvas pelo
cientista político.
“Se
a campanha foi despolitizada até aqui, o responsável
foi o candidato da aliança PSDB-PT. Retomar o debate no campo
ideológico é contraditório e perigoso quando
colocado por eles”, disse.
Já
a candidatura do PMDB carece de propostas mais exeqüíveis,
segundo Camargos. “A candidatura dele [Quintão]
circula em torno dos mesmos temas e considero pouco embasada em
relação às necessidades do município”,
concluiu o cientista político.
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