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Brasília - As
negociações entre o governo da Bolívia e os prefeitos dos nove departamentos do país – quatro deles
opositores – terminaram sem acordo. Após 11 horas de
deliberações, o debate será levado ao Congresso
boliviano, que irá decidir a convocação de um
referendo que aprove a reforma constitucional. As informações
são da agência argentina Telam.
As
autoridades nacionais, de acordo com a agência, sustentaram que
“a minoria não pode, agora, chantagear a maioria” e exigir
mudanças no projeto constitucional, aprovado em dezembro do
ano passado pela Assembléia Constituinte.
Já
a oposição destacou que o fracasso do diálogo
“não pode significar jamais o início de um ciclo de
confrontação e de violência” e pediu que sejam
feitos esforços para que os pontos de divergência que
levaram à crise política na Bolívia sejam
resolvidos “por vias democráticas”.
O
prefeito opositor do departamento de Tarija, Mario Cossío,
atribuiu a ausência de um acordo com o governo à
impossibilidade de encontrar “as coincidências necessárias”
em temas centrais da agenda boliviana.
O
ministro do Desenvolvimento Rural, Carlos Romero – que dirigiu a
mesa de discussão sobre a nova Constituição e
sobre a autonomia dos departamentos opositores – anunciou que os
acordos sobre poderes regionais alcançados durante o diálogo
serão incorporados ao projeto que será submetido ao
referendo.
Cossío,
entretanto, disse que tais acordos não satisfazem a
expectativa de “autonomia departamental plena” dos prefeitos
opositores e negou que a oposição tenha pretendido
revisar totalmente o projeto da Constituição.
“Apresentamos um conjunto de temas pontuais que requerem uma
análise mais profunda”, afirmou.
Diante da
possibilidade do referendo, os prefeitos opositores pediram ao
presidente Evo Morales que seja feita uma auditoria do padrão
eleitoral no país para garantir transparência à
consulta pública.
A reunião
entre governo e oposição começou ontem (5) em
Cochabamba, cerca de 500 quilômetros ao sudeste da capital
La Paz, e foi acompanhada por observadores da
Organização das Nações Unidas (ONU), da
Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União
de Nações Sul-Americanas (Unasul).
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