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Brasília - O Conselho Monetário
Nacional (CMN) é o responsável pela definição
das condições da “compra” de carteira de
instituições financeiras pelo Banco Central (BC). A
reunião do conselho ainda não tem data marcada.
Pela medida provisória (MP) publicada hoje (7) em
edição extraordinária do Diário
Oficial da União, o Banco Central está autorizado a
emprestar dinheiro aos bancos tendo como garantia as carteiras de
crédito. Essa operação pode ser vista como uma
“compra” da carteira, porque, em caso de inadimplência da
instituição financeira, os títulos da carteira
de crédito estarão em propriedade do Banco Central, que
os terá como garantia.
A medida pode atender principalmente médios
e pequenos bancos, que têm dificuldade de conseguir recursos,
principalmente do exterior, o que é resultado da crise
financeira internacional. A MP prevê ainda empréstimo em
moeda estrangeira com garantia de ativos também denominados em
moeda estrangeira.
Será definido pelo CMN o prazo desse
empréstimo do BC aos bancos, os limites de valores e como será
feita a avaliação de risco e a precificação
das carteiras de crédito, entre outras características.
Esse empréstimo do BC aos bancos é chamado de
redesconto. Atualmente, o redesconto é usado em operações
de curtíssimo prazo, geralmente de um dia.
Ontem (6) à noite, em entrevista coletiva,
o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que não
necessariamente a autoridade monetária será responsável
por administrar a carteira de crédito que for "comprada".
Segundo Meirelles, a hipótese mais comum é
que o próprio banco que fizer a negociação com o
BC administre a carteria. “O Banco Central normalmente vai usar a
própria instituição. Mas nada
impede que, a juízo do Banco Central, possa ser usada outra
instituição, como o Banco do Brasil, como
administradora.”
No caso de inadimplência do cliente
bancário, a própria instituição poderá
fazer a cobrança, no caso do empréstimo vencer antes do
redesconto. Se o vencimento for posterior, os empréstimos
serão cobrados e apropriados pelo Banco Central.
Meirelles ressaltou que atualmente não há
necessidade de realizar tal tipo de operação, pois “já
foram tomadas outras medidas que permitem aos bancos maiores adquirir
as carteiras dos bancos menos”. Ele se referia à regra que
permite aos bancos abater de parte do dinheiro destinado ao BC o
valor de compra de operações de crédito de
outras instituições financeiras, desde que a vendedora
tenha patrimônio de R$ 2,5 bilhões. Ou seja, a medida
atende a pequenos e médios bancos, que podem vender as
carteiras de crédito e contar com mais recursos, além
de reduzir o valor que as grandes instituições têm
que recolher ao BC.
Na opinião de Meirelles, a possibilidade de
compra de carteiras é “boa técnica prudencial”, uma
vez que os bancos terão um “emprestador” de última
instância. “Não é algo que necessariamente será
usado, mas é importante que exista essa disponibilidade para
dar segurança ao sistema como um todo.”
Segundo Meirelles, a princípio não
serão divulgadas as instituições que recorrerem
ao empréstimo do BC. “A boa prática bancária
determina que isso deve ser objeto de sigilo bancário”,
disse ele.
O presidente do BC disse ainda que essa “compra”
de carteira coloca o Brasil em condições similares às
de outros bancos centrais no mundo. Ele citou como exemplo os bancos
centrais dos Estados Unidos e da Inglaterra.
Outra medida anunciada pelo governo foi a criação
da Letra de Arrendamento Mercantil (leasing). De acordo com
Meirelles, serão títulos “menos complexos”, que
poderão ser usados no lugar das debêntures, “títulos
de processamento mais complexo”. O objetivo é “dar mais
fluidez ao sistema”, explicou.
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