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São Paulo - Ações individuais de determinados países e da União Européia
não resultaram no fim da crise econômica mundial e das seguidas quedas nas bolsas
de valores, segundo avalição do economista e professor da Trevisan
Escola de Negócios, Alcides Leite.
Hoje (7), após a Bolsa de Valores de São
Paulo (Bovespa) registrar a quarta baixa seguida, ele afirmou que só
uma ação coordenada entre bancos centrais de países desenvolvidos resolverá o
problema, que já tem proporções globais. “Existe um incêndio [a crise] no mercado e os bombeiros
[os bancos centrais] estão agindo”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.
“Porém, só uma ação conjunta de todos os atores dará o resultado esperado.” Segundo ele, só agora, com a crise mostrando
suas conseqüências mais fortes, é possível saber o tamanho real do
problema dos bancos e avaliar a sua dimensão, inclusive, se foi suficiente a ajuda de U$ 700 bilhões que os Estados
Unidos concedeu aos bancos. De acordo com ele, existe no mundo uma carteira de crédito
de cerca de U$ 50 trilhões. Destes, cerca de R$ 3 trilhões estariam “podres”.
Os Estados Unidos já decidiram comprar cerca de U$ 1 trilhão. A economia
norte-americana, junto com a européia e a japonesa, na avaliação de Leite, precisa agora achar uma
solução para os U$ 2 trilhões restantes. “Os governos das economias desenvolvidas têm dinheiro em
reservas para isso. Acredito que, nós próximos dias, eles devem se reunir e
acertar o plano de ação.” Porém, Leite afirmou que, enquanto, a ajuda conjunta não
vem, os dias de “pânico” devem perdurar. Segundo ele, como o momento é ruim, a
incerteza da economia afugenta investidores, que vendem suas ações e rumam para
investimentos seguros. O professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade
de São Paulo (FEA-USP), Alexsandro Broedel, também acredita que os dias ainda serão difíceis no curto prazo.
Para ele, toda a ajuda anunciada não surtiu o efeito esperado e o
mercado acabou não reagindo bem. Ele também acredita que a crise só pode ser superado com uma ação coordenada. “Uma crise de crédito atinge a
todos. Se o problema é este, ninguém vai resolver sozinho, nem o
Brasil”, disse Broedel.
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