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São Paulo - A secretária de Desenvolvimento Agrário de Mato Grosso do
Sul, Tereza Cristina da Costa Dias, solicitou hoje (8) a membros da Sociedade
Rural Brasileira (SRB) apoio para impedir a demarcação de terras indígenas
no sul do estado.
Ela esteve na sede da entidade, em São Paulo, acompanhada do
presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul), Ademar Silva
Júnior, e pediu empenho de todo o setor para a solução do problema envolvendo produtores e indígenas sul-mato-grossenses.
Desde agosto, a Fundação Nacional do Índio (Funai) tem
realizado estudos para identificação de terras indígenas em 26 municípios do estado. Esses estudos, disse Tereza Cristina, têm deixado os agricultores do estado
“extremamente assustados”, já que possíveis demarcações resultariam em
expropriações de propriedades.
Segundo ela, essas propriedades estão entre as mais
produtivas do país e ocupam cerca de um terço dos 35 milhões de hectares do estado. Ainda de acordo com a secretária, essas áreas são responsáveis por 70% da soja produzida no estado, 70% do milho e abrigam 4 milhões de cabeça de gado. “Eles [a Funai] dizem que precisam
de 1,5 milhão de hectares. Se fizerem metade do que pretendem, vão causar um
prejuízo enorme para o estado.”
O presidente da SRB, Cesário Ramalho da Silva, mostrou-se
solidário à situação dos produtores do estado e disse que ajudará a barrar as ações
para a demarcação. Segundo ele, o resultado dos trabalhos será
decisivo para futuras identificações de áreas indígenas em outros locais do
país. “A questão não é só de Mato Grosso do Sul, é de todo Brasil”, disse ele.
O secretário da Agricultura e Abastecimento do estado
de São Paulo, João Sampaio, que também esteve na SRB, classificou a situação como “muito grave”.
Segundo ele, interpretações “surreais” e "ideológicas” da legislação brasileira estão
criando um conflito, que, em breve, vai afetar outros estados, como o Mato
Grosso. “Estaremos do lado de vocês [governo de Mato Grosso do Sul], pois a demarcação
seria uma catástrofe para o estado.”
A Agência Brasil procurou nesta tarde a Funai para que órgão comentasse o assunto, mas até a publicação desta reportagem não houve retorno.
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