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8 de Outubro de 2008 - 17h28 - Última modificação em 8 de Outubro de 2008 - 17h49


Produtores de Mato Grosso pedem crédito para concluir vendas da próxima safra

Danilo Macedo
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Os produtores de Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, dizem que precisam de crédito para concluir o plantio da próxima safra e vão apresentar suas reivindicações ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, em reunião hoje (8) à tarde.

Segundo representantes do agronegócio no estado, a principal medida para diminuir o problema da escassez de recursos seria um aporte financeiro para as empresas de trading, que financiam grande parte do setor. Elas compram mercadorias no mercado interno para depois exportá-las.

O presidente da Associação de Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira, disse que as empresas de trading são o meio mais ágil de financiamento, pois empenham a própria produção como garantia. Com a crise financeira, ele explica que os recursos vindos dessas fontes caíram de cerca de 60% para 30% da safra, no estado.

Ele afirmou que os agricultores com dívidas a vencer em 2008 não têm conseguido crédito com o Banco do Brasil, que teve autorização do governo, na semana passada, para adiantar o financiamento de R$ 5 bilhões para a safra que se inicia. A situação se agrava, segundo Silveira, porque os produtores já assumiram compromissos de venda da próxima safra e compraram grande parte dos insumos a altos preços. "Estamos pedindo dinheiro para terminar o que já foi começado", afirmou.

O gerente-geral da Associação dos Exportadores de Cereais (Anec), Ricardo Tomczyk, disse que, na reunião das entidades do setor com o ministro, serão colocadas três reivindicações: prorrogação imediata das dívidas que vencem neste ano em Mato Grosso, de cerca de R$ 1 bilhão; aporte de recursos para as empresas de trading (cerca de R$ 3 bilhões); e o restabelecimento de mecanismos de sustentação do preço da soja para garantir a renda do produtor.

Um dos representantes dos produtores de algodão, Carlos Augustin, disse que a crise financeira causou tamanha instabilidade que, mesmo os recursos nas instituições internacionais, que sempre eram disponibilizados para o setor, estão paralisados. Ele aconselha aos produtores priorizar o plantio, mesmo que, para isso, tenham que deixar de pagar as dívidas.

"Se tem dívidas para pagar este ano, não é tão importante quanto o plantio. Em segundo, não faça o que não for possível. Se planejou plantar 10 mil hectares e só tem dinheiro para 5 mil, só faça isso. Não fique na metade do caminho, porque é arriscado e traz muito mais prejuízos. Pelo menos até que a situação se restabeleça", aconselhou.


 


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