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Brasília - Os produtores de Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, dizem que precisam de
crédito para concluir o plantio da próxima safra e vão apresentar suas reivindicações ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, em reunião hoje (8) à tarde.
Segundo representantes do agronegócio no estado,
a principal medida para diminuir o problema da escassez de recursos seria um aporte financeiro para as empresas de trading, que financiam grande parte do setor. Elas compram mercadorias no mercado interno para depois exportá-las.
O
presidente da Associação de Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira, disse que as
empresas de trading são o meio mais ágil de financiamento, pois empenham a própria
produção como garantia. Com a crise financeira, ele explica que os
recursos vindos dessas fontes caíram de cerca de 60% para 30% da
safra, no estado.
Ele
afirmou que os agricultores com dívidas a vencer em 2008 não têm
conseguido crédito com o Banco do Brasil, que teve autorização do
governo, na semana passada, para adiantar o financiamento de R$ 5
bilhões para a safra que se inicia. A situação se agrava, segundo
Silveira, porque os produtores já assumiram compromissos de venda da
próxima safra e compraram grande parte dos insumos a altos preços.
"Estamos pedindo dinheiro para terminar o que já foi começado", afirmou.
O gerente-geral da Associação dos Exportadores de Cereais
(Anec), Ricardo
Tomczyk, disse que, na reunião das entidades do setor com o ministro, serão colocadas
três reivindicações: prorrogação imediata das dívidas que vencem neste ano em
Mato Grosso, de cerca de R$ 1 bilhão; aporte de recursos para as empresas de
trading (cerca de R$ 3 bilhões); e o restabelecimento de mecanismos de sustentação do preço da
soja para garantir a renda do produtor.
Um dos representantes dos produtores de algodão, Carlos
Augustin, disse que a crise
financeira causou tamanha instabilidade que, mesmo os recursos nas
instituições internacionais, que sempre eram disponibilizados para o
setor, estão paralisados. Ele aconselha aos produtores
priorizar o plantio, mesmo que, para isso, tenham que deixar de pagar
as dívidas.
"Se
tem dívidas para pagar este ano, não é tão importante quanto o plantio.
Em segundo, não faça o que não for possível. Se planejou plantar 10 mil
hectares e só tem dinheiro para 5 mil, só faça isso. Não fique na
metade do caminho, porque é arriscado e traz muito mais prejuízos. Pelo
menos até que a situação se restabeleça", aconselhou.
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