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Brasília - Uma ferramenta criada
para vigiar quanto o governo federal está investindo nas
crianças e adolescentes brasileiros foi lançada hoje
(9) pelo Fundo das Nações Unidas para Infância
(Unicef), em Brasília. O primeiro boletim do Sistema de
Monitoramento do Investimento Criança (Simic) aponta que o
investimento do governo federal na infância cresceu R$ 15 bilhões
nos últimos dois anos: de R$ 31,6 bilhões em 2006
para R$ 46,8 bilhões até setembro de 2008 - um crescimento de 27%.
Apesar do crescimento,
o montante ainda é insuficiente, avalia o oficial de programas
do Unicef no Brasil, Manuel Buvinich. “O governo, nos programas
que gerencia, vem apresentando um incremento importante, isso é
uma boa notícia. Mas ainda há desafios. Na educação
infantil, por exemplo, a cobertura é muito pequena, isso sem
falar na qualidade. São desafios que demandam mais recursos”,
afirmou.
O Investimento Criança
é o conjunto de gastos orçados e realizados nos
programas previstos no Orçamento Geral da União que
beneficiam direta ou predominantemente crianças e
adolescentes. Foram analisados 13 programas e 32 ações
orçamentárias. A cada seis meses a organização
lançará um Boletim Investimento Criança (BIC),
com dados atualizados sobre o orçamento e análises mais
aprofundadas sobre o uso desse dinheiro. Os dois produtos foram
desenvolvidos em parceria com a organização não-governamental Contas Abertas.
Buvinich acredita que o
Simic ajudará o cidadão a acompanhar de que forma seus
impostos e contribuições estão sendo gastos.“O
sistema ordena as informações de uma forma que qualquer
usuário pode entender. Para fazer qualquer tipo de controle
social e participação no orçamento, é
fundamental ter uma ferramenta que auxilie. Mas ainda é uma
cultura que a gente precisa mudar [a fiscalização do
orçamento por parte da população]”.
Em 2008, o orçamento
da União previsto para a infância é de R$ 46,81
bilhões. Desse total, foram aplicados até setembro R$
31 bilhões (66%). Segundo os cálculos do Unicef, a
quantia real empenhada até dezembro será de R$ 43
bilhões – 1,65% do PIB previsto para o ano. Isso significa
que o valor per capita investido em cada criança e adolescente
será de R$ 807,72. Em 2006 essa quantia era de R$ 482.
O sistema permite acompanhar os investimentos por área e programa. Em termos
orçamentários, o Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb)
representa 40% do total investido em 2007 e 2008. Já o Bolsa
Família aparece como o segundo maior responsável pelos
investimentos: em 2008 foram repassados 72% dos R$ 10,8 bilhões
autorizados para o ano. O Programa de Erradicação do
Trabalho Infantil (Peti), o Brasil Alfabetizado e o Segundo Tempo
também aparecem como os maiores contribuintes para o
Investimento Criança.
Além da
quantidade, Buvinich apontou que é preciso avaliar a gestão
e a distribuição igualitária desses recursos.
“Nós temos por exemplo no semi-árido, nas comunidades
quilombolas, na população ribeirinha da Amazônia,
pessoas que na verdade não tem acesso a muitos
serviços. E, quando tem, as condições são
precárias”, compara.
Para Buvinich, a área
mais carentes de recursos é o desenvolvimento infantil, o que
inclui creche e pré-escola de qualidade e atendimento
materno-infantil adeqüado nos hospitais públicos. Em
2009, com base no Projeto de Lei do Orçamento Geral da União,
que ainda está sendo discutido pelo Congresso Nacional, a
previsão é de que o Investimento Criança chegue a
R$ 58 bilhões. Esse valor representaria R$ 999,36 per capita.
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