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São Paulo - A crise econômica americana afeta a todos os países, inclusive o Brasil, segundo especialistas ouvidos hoje (9) pela Agência Brasil durante um painel de debates sobre a turbulência no mercado financeiro global na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo. Para o economista e professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP) Roberto Troster, o Brasil precisa começar a exercer seu papel de país do futuro. "O Banco Central está tomando as decisões certas, mas não na urgência que elas necessitam ser tomadas. É hora de desespero, então podemos usar as reservas, injetar recursos. Destino não acontece, é a gente que faz acontecer. Temos potencial, mas é preciso agir de acordo com o Brasil que quermos ser", afirmou. Segundo o professor, o "Brasil fez bem a lição de casa". "Mas ainda tem muito o que fazer, como as reformas trabalhista, da previdência e do judiciário e melhorar a composição dos gastos públicos", disse.
O professor e diretor de relações internacionais da ESPM Rio, Alexandre Espírito Santo, explica que a situação da economia brasileira não está favorável como alertam as autoridades. "Agora o presidente Lula se deu conta que é sim um tsunami", comentou o especialista. Para Espírito Santo, as novas atitudes do Banco Central, como vender dólar, foram acertadas. "Só a presença do BC já é importante e suficiente para acalmar os mercados. As confusões na bolsa e no câmbio eram reflexo da falta de ação do banco", pontou. Os especialistas alertam que prever o futuro é quase impossível e que boa parte da solução da crise econômica está vinculada às eleições presidenciais dos Estados Unidos. "Dependendo de quem for eleito, os cenários mudam. Agora o futuro está na mão dos americanos", explicou Troster. Para o professor da ESPM, as próximas três semanas serão difíceis, mas o Natal ajudará a economia. "Há um aquecimento natural nesta época do ano e acredito que os brasileiros terão boas festas", disse. Embora a avaliação dos efeitos da crise seja negativa, o economista não fez previsão de aumento da inflação ou crescimento da taxa de desemprego. "As pessoas vão adiar viagens e compra de carro novo, mas continuarão consumindo. Teremos uma deflação dos preços e um desacelaramento pequeno da economia, mas o emprego não parece que será afetado."
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