9 de Outubro de 2008 - 13h27 -
Última modificação
em 9 de Outubro de 2008 - 16h05
Dilma já foi escolhida por Lula para ser candidata em 2010, diz Tarso
Ivanir José Bortot e Marco Antonio Soalheiro Repórteres da Agência Brasil
Marcello Casal Jr./ABr
Brasília - O ministro da Justiça, Tarso Genro, concede entrevista exclusiva à Agência Brasil. Ele falou sobre sucessão presidencial, crise financeira e rechaçou as críticas do presidente do STF, Gilmar Mendes, de que o país vive num "estado policialesco"
Brasília - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da
Silva, vai defender junto ao Partido dos Trabalhadores (PT) a
indicação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma
Rousseff, para representar a legenda nas eleições
presidenciais de 2010. A afirmação foi feita hoje (9)
pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, em entrevista
exclusiva à Agência Brasil.
Após passar por
quatro ministérios no governo Lula, ele se excluiu da disputa
ao dizer que como membro do governo, “subordinado politicamente”,
deve “respeitar a escolha do presidente”. E reconheceu que essa
escolha é “visível”. “É a ministra Dilma”.
Tarso também fez
uma análise dos possíveis reflexos da atual crise
econômica para o governo e para o país. Ressaltou que as
alternativas de desenvolvimento econômico criadas pelo governo
não serão desconstituídas, criticou a herança
recebida do governo Fernando Henrique Cardoso e informou que a
estrutura de combate à lavagem de dinheiro redobrará
atenções.
O ministro retrucou as afirmações
do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, de
que o Brasil vive um “estado policialesco”. Segundo ele, a
preocupação é legítima, mas o
funcionamento das instituições do país mostra
que estado policial seria, enquanto conceito, algo sem relação
com a realidade.
As investigações contra o
banqueiro Daniel Dantas são definidas por Tarso como dignas
“de um estudo profundo da academia, dos experts em teoria do estado
e funcionamento das instituições”, pela complexidade
das relações políticas mantidas pelo
investigado.
O ministro também saiu em defesa da
Polícia Federal, apesar de reconhecer suas divisões
internas. “Duvido que a PF tenha mais grupos do que tem o
Judiciário ou o Ministério Público, por exemplo.
A PF é uma polícia estabilizada, com direção
legitimada, que tem, sim, algumas divisões internas a respeito
da própria função da instituição,
inclusive se ela deve ou não passar informações
sigilosas para a imprensa”.
Leia o trecho da
entrevista sobre as eleições municipais e a sucessão
presidencial.
Agência Brasil:
Que leitura o senhor faz das eleições municipais como
ministro e como político? Tarso Genro: Como ministro,
recebi um relatório da PF, e salvo algumas regiões com
instabilidade mais grave e mais séria, as eleições
transcorreram num ambiente excepcional. A Justiça Eleitoral
está de parabéns e a PF sempre esteve disponível,
inclusive estará instalando uma série de inquéritos
para investigar e punir pessoas que tiveram comportamento ilegal.
Como dirigente partidário, minha visão é de que
o PT saiu fortalecido nas grandes regiões metropolitanas e
aumentou em aproximadamente 30% o número de prefeitos, o que
reforça a continuidade do projeto representado pelo presidente
Lula.
ABr: O PT tem divergências internas conhecidas. O
partido chegará a 2010 unido e poderá oferecer à
sociedade outros candidatos em condição de vencer a
eleição que não o presidente Lula? Muitos
analistas consideram que o pós-Lula seria de falta de
alternativas nacionais no partido. Tarso: São os
mesmos analistas que diziam que o PT tinha terminado, que o
presidente Lula era incapaz de governar, que viam a globalização
como virtude absoluta a ser recebida de joelhos. O PT está
amadurecendo, melhorando seu nível de unidade e não
chegará absolutamente unificado em lugar nenhum, porque é
um partido plural e tem, dentro de marcos programáticos,
diferenças de inflexão sobre várias matérias.
Mas chegará suficientemente forte para promover uma coalizão
de centro-esquerda e dar continuidade ao trabalho do presidente.
ABr: O nome do senhor está à disposição? Tarso: Para presidente da República, não. Tenho uma
avaliação, por uma série de sinais, que o
presidente já fez uma escolha, que vai propor ao partido. E
eu, como membro do governo e subordinado politicamente ao presidente,
devo respeitar a escolha dele. E acho que é uma escolha boa,
que tem condições de ser acolhida pelo partido e fazer
uma grande campanha.
ABr: Ele já lhe falou quem foi a
escolha? Tarso: Ela é visível. É a ministra
Dilma.