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Antônio Cruz/ABr
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Brasília - O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), dá entrevista hoje (9), a emissoras de rádio, no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), durante o programa Bom Dia Ministro.
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Brasília - O
ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), Paulo
Vannuchi, disse hoje (9) que o trabalho escravo ainda é “uma
mancha que envergonha o Brasil”.
Em entrevista a emissoras de rádio, durante o programa Bom
Dia Ministro, no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ele avaliou que os
casos de trabalhadores encontrados em condições
análogas à escravidão no país representam
“pouca gente” – entre 20 mil e 50 mil pessoas –, mas que cabe ao
Estado brasileiro “erradicar essa vergonha”.
“[Os
trabalhadores] são levados para a região da
Amazônia, de Mato Grosso, do Pará, do Tocantins e lá
ficam submetidos a jagunços que não os deixam escapar e
a pessoas que criam uma situação de escravidão
pela dívida. A pessoa perde a liberdade de ir e vir.”
Para
Vannuchi, o trabalho deve ser de prevenção, para o trabalhador “não
se deixar atrair por falsas promessas”, além de punição
para os “péssimos fazendeiros”. Segundo o ministro, a agricultura do
Brasil é a melhor do mundo, caracterizada por solos férteis e pela quebra de recordes na produção de
soja e de cana-de-açúcar.
“[O
trabalho escravo] pode sujeitar nosso país a ações
na Organização Mundial do Comércio [OMC]. A
alegação de que aqui se pratica trabalho escravo pode
levar a um desastre na nossa folha de exportações.”
Ele
reconheceu que ainda existe uma espécie de desconfiança da população em relação à
defesa dos direitos humanos. A idéia de que eles existem
apenas para proteger os que fazem mal à sociedade, de acordo
com Vannuchi, permanece como uma “forte mentalidade nacional”,
sobretudo nos segmentos sociais mais pobres e que mais necessitam da garantia de seus direitos.
“É
uma explicação enfiada na cabeça deles por
setores do regime militar que foram derrotados. Uma visão da
polícia como agente de repressão. É preciso
corrigir essa má compreensão e o jeito de fazer isso é
por meio de longos investimentos em educação. Incluir
mais a educação em direitos humanos desde muito cedo.”
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