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Rio de Janeiro - Cada ano de estudo que o brasileiro acumula em seu
currículo gera um salto médio em seu salário de 15,07%. O mesmo
movimento é observado nas chances de ocupação que, seguindo o mesmo
critério, aumentam em média 3,38%. Os dados fazem parte da pesquisa
Você no Mercado de Trabalho, apresentada hoje (9) pela Fundação Getulio
Vargas (FGV).
O estudo aponta, ainda, que esse prêmio da educação
(termo utilizado pelos pesquisadores para medir os impactos nos
salários e na ocupação obtidos com investimentos em educação pessoal)
sofre aceleração na medida em que se somam os anos de estudo. Desta
forma, o salário de uma pessoa sem qualquer grau de instrução tem um
incremento de 6% quando ela passa a ter um ano de estudo. Já um
brasileiro com 15 anos de estudo, que corresponde à conclusão do
terceiro grau, passa a ganhar 47% a mais quando agrega ao seu currículo
mais um ano (que representa o fim do primeiro ano de um curso de
pós-graduação).
De acordo com o pesquisador Marcelo Neri, responsável
pela pesquisa, esses dados mostram que principalmente os jovens devem
investir em educação contínua.
“O Brasil é um dos países do mundo que apresenta o
maior retorno da educação, mas muitas pessoas de baixa escolaridade
ficam presas a essa armadilha. Elas estudam um pouco mais e não têm
tanto retorno. Para alcançar um trecho de altos prêmios de educação,
elas precisam percorrer toda a trajetória”, afirmou.
Neri destacou que embora os prêmios de
educação continuem em patamares elevados, já que uma pessoa que
completou todo o ciclo de educação (18 anos) recebe em média R$
4.454,69, o que representa um salário médio aproximadamente doze vezes
maior do que o que recebe uma pessoa sem instrução (R$ 392,14), eles
vêm caindo nos últimos anos. Isso, de acordo com Néri, pode ser
explicado em parte pela maior oferta de pessoas com qualificação.
“De um lado, as pessoas estão indo mais para escola e
isso gera mais oferta de pessoas qualificadas. De outro as empresas
estão demandando mais essa mão de obra. Nos anos 60, essa disputa foi
vencida pela demanda, o que implicou fortíssimo aumento da
desigualdade. Já nos últimos sete anos a oferta de educação tem vencido
a demanda e está gerando uma forte redução de desigualdade no mercado
de trabalho nos últimos anos”, afirmou.
A pesquisa traz também uma análise específica sobre o
retorno de educação para o jovem. De acordo com Marcelo Néri, em 2007 a
renda dessa parcela da população cresceu duas vezes mais do que a do
conjunto da população.
“O jovem viveu uma crise de desemprego e os dados
mais recentes apontam que ele está sendo disputado pelas empresas. Como
o jovem brasileiro fez o seu dever de casa indo pra escola nos últimos
quinze anos, ele está atendendo essa maior demanda de trabalho, reflexo
da recuperação do crescimento do Brasil”, destacou.
A análise regional aponta que o Nordeste tem a maior
taxa de retorno de educação (17,04% por ano de estudo) e o Sul (12,43%
por ano de estudo), a menor. De acordo com Néri, isso ocorre porque o
Nordeste está crescendo num ritmo mais acelerado e o Sul conta com uma
oferta mais abundante de pessoas qualificadas.
“Um jovem que queria investir em educação pode ir
para a Região Nordeste, que é onde ele vai auferir os maiores ganhos
por estar educado”, acrescentou.
Entre as profissões, os maiores salários observados
no Brasil são obtidos nas profissões de juízes e desembargadores, que
ganhavam em média R$ 13.956 em 2007, seguidos por diretores gerais (R$
7.371) e médicos (7.029). No outro extremo, com as remunerações mais
baixas, aparecem os trabalhadores agrícolas (R$ 141.21) e os que atuam
na pecuária (R$ 141,56).
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