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10 de Outubro de 2008 - 15h05 -
Última modificação
em 10 de Outubro de 2008 - 15h05
Lula cogita cortar investimentos se a crise se agravar no Brasil, com "serenidade"
Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil
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Fotógrafo Oficial da Presidência da República Ricardo Stuckert
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Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala a agências de notícia, entre outros assuntos, sobre a crise financeira internacional e a influência que isso pode causar à economia brasileira
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Brasília - O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva disse hoje (10) que o Brasil será
o país menos afetado pela crise financeira. O argumento é
que o sistema bancário nacional e as finanças estão
sólidos, além de a política fiscal ser sóbria
e serena. Mas ele afirmou que se a turbulência se agravar,
informará a população e tomará as medidas
necessárias, até mesmo cortando investimentos.
“O
meu papel é passar serenidade para a sociedade brasileira, a
verdade absoluta. Agora, na medida em que essa crise chegar ao Brasil
e tiver implicação na redução dos
investimentos ou que o governo tenha que reduzir investimentos, com a
mesma serenidade que eu digo que o Brasil está num momento
bom, eu vou dizer que a situação está agravada e
vamos ter que fazer isso e aquilo, anunciar medidas”, disse Lula,
na primeira entrevista a sites brasileiros desde que assumiu a
Presidência.
“É como se tivéssemos
tomado uma vacina contra uma doença. Ela está demorando
a chegar ao Brasil e se chegar, talvez, será numa proporção
muito menor do que está chegando nos Estados Unidos, na
Europa, no epicentro da crise, que estavam todos metidos na
especulação financeira, com o subprime [tipo
de hipoteca que deu origem à crise]”,
afirmou.
Segundo Lula, não há sinais de que os
grandes bancos brasileiros tenham envolvimento no subprime.
Conforme o presidente, o problema agora é de liqüidez –
disponibilidade de dinheiro para ser sacado. “O nosso problema hoje
é de liqüidez e nós queremos ajudar, sobretudo em
se tratando de ajudar os exportadores brasileiros”, afirmou.
O
presidente garantiu que não cortará dinheiro dos
programas sociais ou do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC). “Não vamos tirar nenhum centavo desse
dinheiro”, disse, a respeito dos programas sociais. “Os
investimentos nessa área é que garantem que o nosso
mercado interno continue crescendo”. Sobre o PAC, a intenção
é manter todas as obras. “No Brasil, não temos ainda
nenhum grande projeto que sofreu qualquer arranhão. A decisão
do governo é manter todas as obras do PAC, de
infra-estrutura”.
Lula voltou a defender que é
preciso haver supervisão do mercado financeiro, recomendação
dada aos ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Henrique Meirelles,
presidente do Banco Central, que participam de reunião do
Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, nos
Estados Unidos.
“Você não pode permitir que
alguém possa financiar aquilo que não tem, ou se alguém
está financiando uma coisa, que tenha suporte para pagar em
momentos de crise”, justificou. “Os bancos centrais, o FMI, o
Banco Mundial, todos aqueles que podem ter interferência
precisam começar a bater o bumbo nessa direção
para que a gente normalize internacionalmente que um banco só
pode fazer investimento, alavancagem sete, oito vezes, diminuir o
potencial”, acrescentou.
Lula descartou a possibilidade de
soltar um pacote para minimizar os efeitos da crise na economia
brasileira. Ele afirmou que adotará apenas medidas pontuais.
“Comigo não tem pacote. Comigo é medidas. Quando for
necessário, tomar medidas. Posso dizer com muita serenidade,
muita atenção, conversar com muita gente”,
disse.
“Tenho dito ao Guido [Mantega] e ao [Henrique]
Meirelles que [com] pacote atrás de pacote, esse país
já quebrou a cara muitas vezes. Então, prefiro medidas
pontuais, na hora necessária”, reforçou.
O
presidente relembrou que a atual crise teve início no ano
passado e só agora ganhou a atenção dos países
ricos. “Isso é como boletim de criança que tira nota
baixa e quer esconder do pai. Não adianta, um dia aparece.
Então é melhor que as pessoas contem logo para as
pessoas tomarem posição”.
Lula concedeu
entrevista à Agência Brasil e os portais Terra,
Uol, IG, G1 e Limão.
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