



|
Brasília - Durante o
anúncio hoje (10) da criação de 93 Centros de
Atenção Psicossocial (Caps) e da publicação
de um edital para financiar ações relacionadas à
redução de danos à saúde por uso de
álcool e outras drogas, a secretária de Atenção Básica do Ministério da Saúde, Cleuza Rodrigues,
avaliou que, apesar dos avanços na área de saúde
mental, ainda há muito o que conquistar. Segundo ela, muitos Caps
estavam “represados” no ministério por falta de verba –
alguns, desde o início deste ano.
“Já
conseguimos o dinheiro. É um percentual significativo em todo
o universo em que se trabalha. Não é por falta de boa
vontade. Perdemos a CPMF [Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira] e ficamos com uma
dívida de R$ 2,2 bilhões. Entramos em 2008 com esse
buraco.”
Ela
destacou que as pessoas que padecem de doenças mentais são
consideradas “pacientes delicados”, uma vez que tanto eles como
sua própria qualidade de vida dependem dos profissionais de
saúde.
“Há 20 anos, eles eram completamente marginalizados pelo
sistema de saúde pública. Houve um avanço
específica na área de saúde mental. Temos
exemplos exitosos no país, principalmente voltados para as
drogas. Mas temos muito a conquistar. Pacientes não são
tratados com o devido respeito e atenção que merecem.”
O
Programa de Volta para Casa, que prevê o auxílio-reabilitação
psicossocial a egressos de longas internações
psiquiátricas, foi alvo de grandes elogios, bem como a
inserção de ações de saúde mental
na atenção primária. Uma portaria do Ministério da Saúde, publicada em 2008, instituiu os Núcleos de Apoio à Saúde da Família. O documento prevê ainda a contratação de
especialistas para dar apoio às equipes do Saúde da
Família. Atualmente, 20% dos profissionais dos núcleos
pertencem à área de saúde mental.
“Às
vezes, acontecem coisas lá na ponta que a gente não
consegue acompanhar. Não há pernas para isso. Que os
secretários reivindiquem.”
No total,
o país conta com 1.291 Caps implantados em todas as unidades
federativas. Cerca de 53% da população, de acordo com o
ministério, está coberta por serviços de
atenção à saúde mental – um aumento de
31% em relação à 2002.
Os novos
Caps representam um investimento anual de R$ 22,3 milhões. Já
o edital, no valor de R$ 1,4 milhão, destina recursos para as
secretarias estaduais e municipais, para universidades públicas,
para organizações da sociedade civil que desenvolvem projetos na área.
Serão
destinados ainda R$ 100 mil para projetos que abranjam dois ou mais
estados e até R$ 60 mil para os que contemplem três ou
mais municípios. Dados divulgados pelo Ministério da
Saúde revelam que 15% da população mundial –
975 milhões de pessoas – precisa de atendimento em saúde
mental. No Brasil, 28,3 milhões sofrem de algum transtorno
mental.
|
|