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Brasília - O
ministro da Fazenda, Guido Mantega, cobrou hoje (11) uma
mudança na forma de operação do Fundo Monetário
Internacional (FMI). Ele criticou a instituição por ter dado atenção
excessiva aos problemas das nações emergentes e deixado
de lado os países ricos.
“A crise atual torna ainda mais urgente uma reforma fundamental do
modo de operar do FMI. Até recentemente, o FMI estava
concentrado nos problemas dos países de mercado emergente e em
desenvolvimento. Não parece ter dedicado suficiente atenção
aos principais centros financeiros, onde ciclos de expansão e
contração do crédito vêm sendo observados
com freqüência e intensidade alarmantes nas últimas
décadas", afirmou Mantega, em discurso no encontro do
Comitê Internacional Monetário e Financeiro do FMI, em
Washington, nos Estados Unidos.
Mantega
cobrou um novo mecanismo de liquidez para os países pobres
e em desenvolvimento. “A gravidade e os amplos efeitos da crise
financeira fazem com que seja de importância crítica
introduzir no fundo um novo instrumento de liquidez direcionado para
os países de mercado emergente e em desenvolvimento que
estejam enfrentando choques em suas contas de capital”.
O ministro disse que os países emergentes estão agora com a
responsabilidade de evitar uma recessão mundial, mas alertou
que há limites. “Acredito que, em
alguma medida, esses países terão de neutralizar as
forças recessivas oriundas do mundo desenvolvido. É
claro que há limites para o que podemos fazer. A solução
da crise depende do sucesso das políticas que foram e serão
implementadas pelos países avançados".
Mantega acrescentou que a economia mundial vive sua pior crise desde
a Segunda Guerra Mundial e defendeu regulação do
mercado financeiro e a intervenção do Estado para
restabelecer a confiança nas instituições. “O
envolvimento do Estado, inclusive com a nacionalização
temporária de uma grande parte do sistema financeiro nos
Estados Unidos e na Europa, será necessário para
restaurar o funcionamento dos mercados de crédito. Caberá
também ao Estado restaurar a confiança, que foi
estilhaçada pela quebra de várias instituições
financeiras importantes”.
Mantega
participa ainda hoje de uma reunião extraordinária, convocada por ele, do
G-20 Financeiro, grupo formado pelos ministros de finanças e presidentes dos bancos centrais das 20 maiores economias do mundo.
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