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Brasília - Estudo divulgado hoje (14) pelo
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base em
dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad)
2007, revela que a diferença de renda entre negros e brancos vem caindo nos
últimos anos e, se o ritmo for mantido, deve ser
zerada em 2029.
De acordo
com o Ipea, a renda per capita dos negros representa menos da metade da renda domiciliar per capita dos brancos.
“Trata-se de uma desigualdade particularmente detestável, na
medida em que não é atribuível a nenhuma medida
de mérito ou esforço, sendo puramente resultado de
discriminações passadas ou presentes”, informa o
documento.
Essa
desigualdade, no entanto, começou a cair a partir de 2001. Até 2007, um quarto da diferença foi retirada. “Isto
quer dizer que ainda faltam outros três quartos. Se o ritmo
continuar o mesmo, haverá igualdade na renda domiciliar per
capita apenas em 2029”.
A redução
da desigualdade até agora não pode ser atribuída
à redução da discriminação racial
necessariamente, segundo o Ipea. Por causa do grande percentual de
negros nas camadas mais pobres da população, a melhoria
na distribuição geral da renda teve reflexos diretos na
redução de desigualdades por raça.
“É
possível que que a redução da razão de
rendas não seja conseqüência de uma redução
nas práticas discriminatórias e sim do fato de negros
serem maioria entre os beneficiários do Programa Bolsa
Família, dos benefícios previdenciários
indexados ao salário mínimo, do Benefício de
Prestação Continuada e dos outros mecanismos de redução
da desigualdade geral”, avalia o Ipea.
Segundo a
análise, 72% da queda da desigualdade de renda entre negros e
brancos se deve à redução generalizada da
desigualdade na sociedade brasileira e apenas 28% aconteceu em razão
da mobilidade social dos negros, com migração para para
classes mais altas. A ausência de políticas de ação
afirmativa “de grande envergadura” é apontada pelo Ipea
como causa principal desse desequilíbrio.
“A
pobreza é predominantemente negra e a riqueza é
predominantemente branca”, ressalta o estudo.
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