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Brasília - Só em 2008, mais
de 3 mil trabalhadores em situação degradante foram
resgatados por equipes do grupo móvel de fiscalização
do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Desde que o grupo
foi criado, em 1995, mais de 30 mil trabalhadores foram retirados de situações irregulares. Para impedir que a prática do trabalho escravo
continue existindo no Brasil, entidades da sociedade civil organizaram
hoje (17) um ato nacional pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 438/2001) que
prevê penas mais rígidas para os exploradores. Entre
elas, a expropriação de imóveis (rurais e
urbanos) de quem cometer o crime.
A proposta está
pronta para ir ao plenário na Câmara e depois precisa
ser votada no Senado. A matéria tramita há sete anos e,
segundo as entidades que representam os trabalhadores, sofre forte
pressão da bancada ruralista para não ser aprovada.
Segundo o diretor da Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Agricultura (Contag), Antônio Lucas, a idéia
do abaixo-assinado é mostrar aos parlamentares que a sociedade
é contra o trabalho escravo.
“O Brasil hoje é
um país que está exportando soja, milho, um
monte de produtos agrícolas. Eles [ruralistas] precisam tirar
de dentro dessa produção o trabalho escravo, isso é
bom para eles também. Eles precisam ter essa consciência.
Nós vamos para dentro do Congresso brigar para que ela seja
aprovada”, afirma.
A meta é
recolher 2 milhões de assinaturas até fevereiro. Hoje (17),
os pontos para coleta de assinaturas estão espalhados em
várias cidades. Em Brasília, foram escolhidos dez
locais de grande circulação como a Rodoviária
do Plano Piloto, os shoppings Pátio Brasil e Conjunto Nacional,
e as estações do metrô em Taguatinga e Ceilândia.
Há ainda a versão eletrônica do abaixo-assinado, disponível na internet.
Para Maria Isabel
Silva, conselheira da Associação dos Magistrados do
Brasil (AMB), parte da população desconhece que o problema persiste no Brasil, 120 anos após a
assinatura da Lei Áurea. “A população
é muito mal informada. As pessoas que têm nos procurado
nem sabe que isso ainda existe, quem está na fazenda acha
que vive lá por uma concessão do patrão. O povo
precisa ser conscientizado que essa exploração do homem
pelo homem não pode mais existir. É uma segunda
abolição da escravatura”, defende.
A auxiliar de
administração Dalvirene Cavalcante passava pela
Rodoviária do Plano Piloto e decidiu parar para assinar a
lista. “É uma situação deprimente [o trabalho
escravo] que infelizmente ainda existe. Eu fico comovida porque meu
pai já foi trabalhador escravo, há 30 anos
ele fugiu de uma fazenda no Alto do Xingu (MT), ajudado pelos índios”,
contou.
Segundo a Associação
Nacional dos Procurados do Trabalho (ANPT), os estados que mais
apresentam denúncias desse tipo de exploração
são Pará, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.
Jônatas Andrade, representante da Associação
Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamtra),
explica que as denúncias de trabalho escravo aparecem “de
forma renovada”. “Elas têm aparecido inclusive em áreas
em que não se apresentavam, como o Sul e o Sudeste, em
especial no setor sucroalcoleiro.”
Andrade aposta na
“pressão do povo” para acelerar a aprovação
da PEC. Segundo ele, estão sendo feitas parcerias com
supermercados para instalar pontos de coleta de assinaturas. O
primeiro a aderir foi a rede Wall-Mart.
Quem quiser denunciar algum
caso de trabalho escravo pode procurar a ouvidoria do Ministério
do Trabalho pelos telefones 0800 610101 (para as regiões Sul e
Centro-Oeste e os estados do Acre, Rondônia e Tocantins) e 0800
2850101 (demais localidades).
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