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Brasília - O secretário adjunto da Receita
Federal, Otacílio Dantas Cartaxo, admite que o
crescimento real da arrecadação de impostos e
contribuições acumulada administrada pela Receita deverá ser menor do que o previsto anteriormente pela
secretaria. Em janeiro, a variação era de 20,48%, em março
caiu para 12,88%; passou para 9,93% em junho e chegou
a setembro em 9,27%.
No mês passado, o secretário
tinha feito projeções que mostravam crescimento real de 10% na arrecadação real
acumulada neste ano, mesmo com a extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Cartaxo disse que, embora algumas projeções apontem para um decréscimo de
arrecadação diante da crise financeira, a estimativa agora passou para o intervalo entre 8% e 10%. Segundo o secretário, a preocupação do
governo é com o próximo ano, pois em 2008 as metas
serão atingidas.
“O número
seria – da última reunião que nós participamos
aqui – se não me engano, com intervalo de 8 a 9%. Da outra
vez, eu falei de 9% a 10%. Estou dizendo que algumas projeções
apostam para um decréscimo. Eu aposto que a arrecadação
irá se manter neste intervalo de 8% a 10%”, disse Cartaxo.
A
diferença entre as projeções deve-se ao
intervalo entre a crise e seu “espelhamento” (reflexos) nos indicadores econômicos, explicou o secretário.
Mesmo assim, ele garante que “as metas vão ser mantidas no
corrente ano”.
Embora
negue os efeitos instantâneos da crise na arrecadação,
o secretário enfatizou que a queda na lucratividade das
empresas leva à redução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), que pode diminuir a arrecadação
de impostos.
“O IRPJ tem
como base de cálculo a lucratividade das empresas. Se a crise,
por acaso, reduz a lucratividade das empresas, então haverá
de qualquer forma efeito sobre a arrecadação. Nossa
preocupação é justamente essa”, disse
Cartaxo, lembrando que o IRPJ é o “carro-chefe” da arrecadação
federal.
Números divulgado hoje (21) pela
Receita Federal já mostram queda
do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de
5,94% na arrecadação de setembro em comparação
a agosto deste ano, mas o coordenador-geral de Previsão da
Secretaria da Receita, Raimundo Elói de Carvalho, e o
secretário Otacílio Cartaxo descartam que se possa
afirmar que a redução tenha relação com a
crise.
“Não se refletiu ainda nos
indicadores, mas sabemos que há uma crise de
liquidez geral no mercado tanto em relação a pessoas
físcias quanto a pessoas jurídicas. Houve
elevação de juros, encurtamento de prazo e isso no
futuro há de se refletir”, afirmou Cartaxo.
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