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Brasília - O delegado da Polícia Federal (PF)
Protógenes Queiroz, ex-coordenador da Operação
Satiagraha – na qual o banqueiro Daniel Dantas foi preso duas vezes
no mês de julho – queixou-se hoje (7) das buscas e apreensões
realizadas pela Corregedoria-Geral da Polícia Federal nesta
semana num quarto de hotel onde se hospedava em São Paulo, em
sua casa de Brasília e na de seu filho no Rio de Janeiro.
Ele vê ligação direta entre a ação
e os interesses do banqueiro. A Corregedoria investiga vazamento de informações na Operação Satiagraha.
“Essa busca e apreensão é mais uma
vez um estratagema sórdido implantado pelo senhor Daniel
Dantas para poder confundir os trabalhos da Operação
Satiagraha. Ele é o alvo principal, enquanto nós,
investigadores, passamos a ser acusados de crime que não
cometemos. A sociedade sabe disso, mas o vértice do aparelho
estatal não está sabendo conduzir”, criticou Queiroz.
“O poder desse bandido Daniel Dantas já
chegou ao extremo nesse país e dá demonstração
muita clara de seus tentáculos, da força que ele tem,
mas ninguém é cego, é surdo ou será
mudo”, acrescentou.
Foram recolhidos pelos agentes da PF celulares, pen drives e chips de máquinas fotográficas de Queiroz. Em tom de indignação, o delegado disse
ter cogitado pedir demissão, por solicitação
da família e por se sentir perseguido internamente.
“Antes da deflagração da operação
sofri uma vigilância ferrenha e identifiquei a presença
de algumas viaturas e pessoas da PF. Durante e depois da operação
também continuei a sofrer vigilância. Elas podem ser
independentes ou não”, ressaltou.
"Cheguei a pensar nisso [pedir demissão], mas se eu fizesse estaria obedecendo ao que este poder corrupto avassalador que está instalado no país quer que eu faça."
Apesar de estar afastado da Operação
Satiagraha há mais de dois meses, Queiroz reiterou sua
confiança de que Daniel Dantas sofrerá uma dura
condenação pelo juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara
Criminal Federal de São Paulo.
“Eu, como autoridade policial que investiguei,
sei que os dados coletados ali tem indícios e materialidade
do crime de corrupção, de gestão fraudulenta já
confessa em juízo pelo senhor Daniel Dantas. Tenho certeza que o doutor Fausto de Sanctis vai dar uma sentença à altura
do que a sociedade está esperando”, assinalou.
O delegado manifestou ainda o temor de que os fatos ocorridos desde a deflagração da Operação Satiagraha gerem um desestímulo para profissionais que trabalham no combate à corrupção no Brasil.
"A parte mais frágil do sistema foi atingida. A atividade policial se sente, neste momento, no país, muito enfraquecida porque esse ato parte contra um delegado que tem quase 10 anos de sua vida dedicada a grandes operações de combate ao crime organizado e à corrupção. Com pureza d'alma, qual a vontade que vai ter hoje um delegado de estar à frente de um caso de repercussão nacional? ", questionou.
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